Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Vai ser uma competição e tanto para ver quem vai ganhar.

por FJV, em 22.05.18

Não sei se se recordam, mas o antigo primeiro-ministro José Sócrates era de esquerda. Fizesse o que fizesse, dissesse o que dissesse, promovesse a construção de auto-estradas ou viveiros de marmota, a digitalização da administração pública ou o aumento das tarifas elétricas, fazia-o porque “era de esquerda”. Isto coloca problemas sérios de teoria política – reconhecem-se cada vez menos diferenças entre “ser de esquerda” ou “ser de direita”. E, no caso de Sócrates, mesmo quando tomava decisões declaradamente “de direita” (no primeiro mandato, por exemplo), fazia-o brandindo as bandeiras “de esquerda”, porque era ele que decidia o que era “de esquerda” ou “de direita”. O recente congresso do PS repetiu a anomalia, mas alargando o espectro ao rigor nas contas públicas, ao combate à corrupção ou à diminuição do défice (não se ria em nenhum destes três casos, leitor!, porque a piada fica logo feita). As duas principais correntes socialistas discutiram mesmo quem era mais de esquerda e quem mais iria combater a direita. Vai ser uma competição e tanto para ver quem vai ganhar. Perdendo.

[Da coluna no CM] 

Autoria e outros dados (tags, etc)




Blog anterior

Aviz 2003>2005


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.