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Uma leitura errada das estatísticas do álcool.

por FJV, em 13.02.19

Os jornais anunciaram, com escândalo, que Portugal bateu a Rússia em consumo de álcool (ó Rússia, venham daí esses fígados!). Com a chancela da Organização Mundial de Saúde, esses números foram papagueados por jornalistas consumidores de sumos verdejantes e quinoa orgânica. Fui ver. Não era bem assim: Portugal baixou o consumo de álcool desde 2011. De 14,6 litros por cabeça passámos para 12,3 – a descida mais significativa foi da cerveja, que baixou de 31 para 26% de todo o álcool, sendo que na poderosa Rússia cerca de 40% do álcool consumido é, vá lá, vodka (o nosso nível de consumo de “bebidas brancas” fica-se pelos 9%). Para os parvinhos e moralistas que ficaram combalidos com o nosso “alcoolismo”, beber vodka ou beber cerveja e vinho é a mesma coisa. Não é. Os problemas de saúde devido ao álcool são de 9,3% na Rússia e apenas de 3 aqui. Beber excelentes vinhos e boas cervejas não nos prejudica como os álcoois do norte da Europa, onde caem redondos porque não sabem beber nem conhecem a arte de comer. Assim cai o mito da vitória alcoólica sobre a Rússia. Que pena, ó saudáveis da treta.

Da coluna diária do CM.

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