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Tancos? Pois muito me contam.

por FJV, em 26.09.18

Pois muito me contam. Recordo as sábias palavras com que, há um ano (a 10 de setembro), o senhor ministro da Defesa espinoteou o país: “No limite, pode não ter havido furto nenhum.” Há aqui qualquer coisa de Wittgenstein: ou me dão aqui, já, as armas roubadas, ou não se pode falar das armas roubadas. E elas lá apareceram – mas, no meio de uma garabulha tremenda, em número desigual apareceram parte das que desapareceram, se me entendem, e ainda outras que não tinham desaparecido, como uma espécie de bónus. Com isso, a “instituição militar” salvou a honra do quartel; o ministro salvou a honra do governo; e as autoridades resmonearam: não há aqui nada para ver, é desandar, é desandar, Tancos não aconteceu. Parece que, afinal, houve mesmo um roubo de armas em Tancos – o que, conforme as palavras do presidente da AR, segunda figura do Estado, se revestiu de “momentos altamente cómicos”. Não exageremos, portanto. Roubaram armas em Tancos? E foram militares? Ora. Conforme disse o senhor ministro da Defesa (a 30 de junho de 2017), “não foi o maior roubo do século”. Pois muito me contam.

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