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Não sou economista e não ponho em causa as relações económicas entre Portugal e o país dessa figura exótica que é Hugo Chávez (a classificação é do nosso Ministro dos Estrangeiros). Mas, como cidadão, gostava de saber quando começa a chegar a mandioca, e estranho — sobre essa matéria — o silêncio da blogosfera lusitana. De resto, já estamos preparados.
Ontem, os jornais noticiavam que os partidos estavam de acordo com a prisão preventiva em caso de violência doméstica. Na verdade, de entre os crimes contra as pessoas, a violência doméstica é o mais abjecto – sobretudo a que é dirigida contra velhos e crianças, que não podem defender-se nem têm voz. Mas a preocupação central é com a relação entre maridos e mulheres. Fico sensibilizado mas acho que o importante é mostrar que os maridos e as mulheres podem lutar pela sua dignidade sem que os políticos enobreçam o estatuto da vítima. Um estudo da Universidade do Minho diz que 25% dos jovens entre os 15 e os 25 anos já foram vítimas de violência numa relação amorosa. Sovas, murros, pontapés e sexo forçado começam na adolescência. Os políticos que tenham cuidado e estudem.
[Da coluna do Correio da Manhã.]
A maior parte dos comentários sobre a violência nos subúrbios de Lisboa divide-se entre a paranóia do medo e o ventriloquismo da «violência policial». São reacções de cães de Pavlov. Ontem, na rádio, um morador da Quinta do Mocho definiu as coisas com alguma grandeza: que há falta de respeito pela lei e que esta é a «natureza da maldade» (eu só lhe somaria a guerra surda em nome do tráfico). A descrição do assassínio de Marco Vaz, durante o fim-de-semana, fornece esse retrato com fidelidade. Os sociólogos da televisão transferem a realidade para os laboratórios e os deputados que falam da polícia como de um bando de assaltantes têm a casa protegida. Os pobres e os humildes são as principais vítimas da violência – da falta de respeito pela lei e da natureza da maldade. Sempre.
[Da coluna do Correio da Manhã.]
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