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É tudo tão simples e razoável.

por FJV, em 21.07.10

Independentemente de saber se é «eleitoralmente útil», «politicamente oportuna», se aborrece ou não os senhores professores e outros co-proprietários,  se aquilo que sabemos do projecto é ou não questionável, a proposta de revisão constitucional do PSD acordou o velho regime em peso e coletivamente, de António Arnaut a Alberto João Jardim. Tem, além disso, o mérito de levar o secretário-geral do PS a convocar uma reunião do partido para discutir artigos publicados em jornais. Os parceiros do ancien régime, de Alberto João Jardim a António Arnaut, atropelam-se para denunciar um golpe de Estado, o que é normal nestas circunstâncias (o dr. Vital Moreira já tinha anunciado há anos que a eleição de Cavaco Silva seria também uma ameaça de golpe de Estado constitucional). É estranho, aliás, que o PS proteste contra a «destruição do Estado socialista» e não proteste, em coerência, com uma boa parte das medidas que tomou nos últimos anos. Mas entende-se: não interessa que a Constituição seja respeitada ou respeitável; interessa é que ela decreta, por escrito, o «Estado socialista», independentemente de ser adequada ou não. É o velho espírito das coisas desejáveis transformadas em lei. De repente, uma plataforma de «exigentes constitucionalistas» a que não conhecíamos nem a habilidade nem a disponibilidade, achou que vinha aí o apocalipse.

E, no entanto, é tudo tão simples e razoável: o secretário-geral do PS não quer saber de Constituição nenhuma, e, intimamente, não quer saber para nada do «Estado socialista» que o texto decreta, porque a Constituição, como está, é uma velharia ideológica que resultou do PREC. Como Tomás Vasques explica, com uma clareza mais do que meridiana, e de forma clarividente, o que está em causa é apenas isto: o confronto «permite ao PS um novo fôlego na próxima campanha eleitoral». Mais nada.

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