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por FJV, em 18.10.07
|||Orgulho ferido.
Apetecia-me pedir aos administradores do aeroporto da Portela que não deixem de visitar a sua casa, o nosso aeroporto. Não sei se visitam. Sabemos que ele é pequeno, que os corredores para as gates são mudados frequentemente, que inauguraram um barracão indigno e humilhante para os voos domésticos, que as malas demoram muito a chegar. Mas peço-lhes que visitem o aeroporto, a sua casa, o nosso aeroporto. Por exemplo, o que pensam de chegar a Portugal, num voo nocturno, e ter vontade de ir à casa de banho, à primeira delas para quem vem do espaço internacional? Eu digo-lhes: às onze da noite, o chão está imundo (escuso de dizer «de quê»), não há sabonete líquido nem toalhetes de papel, há um lago no meio, um mau cheiro que não vale a pena descrever, as portas estão sujas, os azulejos estão sujos. Está bem; sou português, conheço a Pátria, limito-me a protestar, penso em escrever uma carta à administração da ANA, ou da Groundforce, ou da TAP, já não sei. Mas um cidadão que apanha um voo em Paris, em Amesterdão, em Frankfurt, no Rio de Janeiro, em Nova Iorque, em Caracas – chega e vê isto. Não sei se merece, não sei se merecemos. Mas, diante disto, desta imagem de casa de horrores, suja, nojenta, peço que o aeroporto passe a ser considerado área prioritária do ministério dos Negócios Estrangeiros, do Turismo de Portugal, do ICEP, da Direcção-Geral de Saúde e da ASAE. Não podem promover-se o Allgarve e as belas imagens da publicidade que está colocada na imprensa estrangeira, e depois manter as casas de banho do aeroporto neste estado. Não pode manter-se o hall de chegadas como se fosse um cenário para filmes de pós-tragédia, onde se fuma nos locais proibidos, onde o lixo transborda dos cestos, para não falar dos táxis que (emboram tenham melhorado o seu serviço) continuam a receber mal. A receber mal quem nos visita, exactamente. Não, não é provinciano, isto. É orgulho ferido. É ter pena que «a nossa casa» (a casa dos administradores do aeroporto de Lisboa) esteja suja, desleixada e tudo isso. O estado das casas-de-banho é um escândalo. Eu proponho que, à boa maneira americana ou alemã, os administradores dêem um passeio pelas casas-de-banho por volta das dez da noite e recebam os turistas, os visitantes, os passageiros. Que tomem nota e se envergonhem. Não deixem a vergonha toda para nós.
[FJV]

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por FJV, em 21.08.07
||| Resumo.













Um grupo de meninos e meninas alternativos, onde (a avaliar pelos textos e pelos discursos) se misturam o discurso radical ecologista, o gosto pelos adubos orgânicos, os narguilés, a new age, a mentalidade anti-científica e a vulgata esquerdista, decidiram promover um espectáculo – destruir um hectare de milho transgénico, invadindo uma propriedade e ministrando, alto e bom som, sempre com os microfones das televisões ligados, lições de moral, ecologia e política. Para não ir mais longe, trata-se de uma violação da propriedade e da lei, além de um ataque ao trabalho de um pequeno agricultor, aplaudida – de quatro – por “especialistas em sublevações”, desde que não as sofram eles na pele. As iniciativas dos meninos (que tiveram o cuidado de se resguardar contra o pólen, pobrezinhos, numa iniciativa “de acção directa e desobediência civil”) foram incluídas num site governamental; isto não constitui novidade nem é caso para escândalo ou para desviar as atenções do essencial, uma vez que a ampla generosidade institucional para com grupos alternativos mistura a sua própria generosidade com a duvidosa boa-fé dos outros – ou seja, com a sua patetice. Há demasiados patetas nas ONG e nos grupos que usam linguagem “ecológica” e “alternativa”; isso é mau para as ONG e péssimo para nós, cidadãos. Aquela linguagem, cheia de metáforas “alternativas” e de ditirambos sobre a “ordem moral & ecológica” é duplamente perigosa: para os próprios, porque pensam que pensam alguma coisa, e para os incautos e generosos, que lhes atribuem alguma importância – é uma linguagem cheia de preconceitos anti-científicos e de coisas que ficam bem, tal como palavras fora de contexto e erva mal misturada. É importante que isso sirva de lição à política de juventude; os jovens devem levar para trás e devem ser ensinados a ler, escrever e contar com alguma competência, arranjando-se-lhes ocupação apropriada e não serem industriados por vândalos.
Finalmente, sobre a natureza “estética” da iniciativa, coisa já suficientemente alvo de chacota, apenas confirma o razoável vácuo daqueles cerebelos. O presidente da República agiu bem ao pedir responsabilidades; o governo deve prestar apoio jurídico ao agricultor lesado, que deve poder processar os meninos; o ministro da Agricultura falou razoavelmente; o ministro da Administração Interna falou tarde demais, para defender a sua corporação, mas deve fazer-nos saber que mandou mesmo proceder a um inquérito porque a actuação da GNR é mais do que duvidosa; e aquela rapaziada deve ser identificada e levada a tribunal (por muito menos, já gente honesta foi à barra). Ou seja: se as televisões sabiam o que ia acontecer, supõe-se que a GNR também deveria saber. Não somos ingénuos.
Quanto ao resto, não vale a pena ser moralista. A vida segue. Mas prontifico-me a contribuir para apoiar o agricultor, tal como contribuo para o auxílio às vítimas de catástrofes naturais. No caso das “catástrofes naturais”, não culpo os céus, porque os elementos são assim mesmo; neste caso, cabe-nos exigir que os meninos sejam punidos.

Adendas: 1) ainda não tinha prestado atenção à acusação que pesa sobre a Faculdade de Ciências e Tecnologia da UNL. Espero que a FCT desminta o rumor. 2) nunca é demais insistir na hipocrisia destes movimentos financiados por dinheiros públicos para promover pseudo-ciência e “banalidades ambientalistas”.
[FJV]

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por FJV, em 20.08.07
||| Tudo se explica.
«Gualter Baptista, porta-voz do movimento Verde Eufémia, reagiu ontem ao anúncio feito pelo Ministério da Administração Interna da abertura de uma investigação ao caso afirmando tratar-se de "uma perseguição política" e "uso indevido dos dinheiros públicos".» Estamos entendidos.
[FJV]

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por FJV, em 20.08.07
||| Dossiers anónimos.
«Há, como se sabe, uma ética do tratamento de dossiers "anónimos"; faz parte da originalidade portuguesa - se ligas a um, tens de ligar a outro; se lês um, tens de ler o outro, e assim por diante, até não haver espaço nos arquivos da Procuradoria ou lugar nas primeiras páginas dos jornais.» O artigo desta segunda-feira no JN.
[FJV]

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por FJV, em 18.08.07
||| Dossiers anónimos.








Como se sabe, um dossier «anónimo» é um dossier a que falta assinatura ou a que apagaram a assinatura. Por exemplo: alguém pode elaborar um dossier «anónimo» e, para lhe dar credibilidade (imagine-se!), é necessário retirar-lhe a assinatura; se a tivesse, ninguém ligaria. Mas as autoridades fizeram-lhe a vontade.
Agora, apareceu um novo dossier «anónimo». As autoridades, postas diante da evidência, têm de apreciá-lo, porque não é possível desprezar um dossier «anónimo» e apaparicar o outro. Há, como se sabe, uma ética do tratamento do dossiers «anónimos»; faz parte da originalidade portuguesa. Procuradores, polícias, investigadores anónimos, em vez de chamarem o pessoal do CSI de Las Vegas, para encontrarem impressões digitais, manchas de uísque, pingos de sardinha, sentam-se tranquilamente nos seus gabinetes (vá lá, é uma imagem literária), ajeitam os óculos, empilham uma série de blocos para apontamentos ao lado de uma dúzia de lápis afiados, e iniciam a leitura. Não contribuem em nada para a sua ilustração. Mas fazem a vontade aos autores dos dossiers «anónimos». É uma alegria. Vou pensar em escrever um dossier anónimo. Está na moda. Convido-vos à escrita.
[FJV]

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por FJV, em 17.08.07
||| Os meninos.
Espero pelo debate, certamente muito politizado e cheio de metáforas, depois do assalto a uma herdade de Silves. Os meninos «[os activistas] tinham as caras tapadas com panos, para, segundo eles, apenas se protegerem do pólen transgénico»; pobres deles.
[FJV]

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por FJV, em 09.08.07
||| Eça de Queirós demolido.












Uma parte da memória de Eça de Queirós ou da passagem de Eça desapareceu na Granja. A Câmara de Gaia ou não conseguiu evitar a demolição, ou propôs a demolição, ou a autorizou.
[FJV]

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por FJV, em 17.06.07
||| Isto não é «o cantinho do hooligan». É outra coisa.
Antes de mais, o seguinte: esta rapaziada não estava obrigada a ganhar nada. Não houve discursos patrióticos sobre o assunto, nem exigências à partida, nem a fanfarronada do costume. Foram lá e iam jogar. Na verdade, não jogaram grande coisa. Empataram com a Bélgica, perderam com a Holanda e golearam Israel. Parece que Portugal passaria se a Holanda ganhasse à Bélgica; dependeríamos disso; felizmente, não aconteceu.
Não compreendo, no entanto, que neste artigo se utilize duas vezes «conveniente empate» a propósito do resultado do jogo Bélgica-Holanda. Conveniente? Quer o texto insinuar que a Bélgica e a Holanda convieram no resultado para eliminar Portugal?
Eu percebo a lógica: empatámos com os belgas (os tais que não sabem dar um pontapé na bola), perdemos com os holandeses (já se sabe como foi) -- precisávamos, apenas, que os holandeses derrotassem os belgas para que nós passássemos à fase seguinte. Ora bolas. Os belgas não estiveram de acordo e os holandeses deixaram entrar uma bola na baliza aos 70 minutos; são uns aborrecidos.
Ora, eu tenho vergonha desse tipo de insinuações (que também ouvi na rádio, aliás). Conveniente, o resultado? Portugal (que até pode eventualmente, ter melhor futebol do que os belgas) não merecia ir às meias-finais, isso sim. E não foi. Foi muito conveniente que não fosse.
[FJV]

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por FJV, em 29.05.07
||| A corporação.
Peço aos pacientes e benevolentes leitores que atentem nesta notícia extraordinária:
«Valeu tudo: tratar um sujeito como predicado, usar um "ç" em vez de dois "s", inventar palavras. O Gabinete de Avaliação Educacional (GAVE) do Ministério da Educação deu ordens para que nas primeiras partes das provas de aferição de Língua Portuguesa do 4.º e 6.º anos, os erros de construção gráfica, grafia ou de uso de convenções gráficas não fossem considerados. E valeu tudo menos saber escrever em português. Isso não deu pontos.»
Se era preciso um argumento para repensar totalmente o ensino do Português, não sei se vale a pena procurar mais. Mas uma pessoa fica cansada de dar exemplos. A corporação está bem defendida nos corredores do Ministério. Mas leiam, leiam.
[FJV]

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