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Smoking again.

por FJV, em 12.12.08

 

Um dos novos desportos para preencher o vazio da cabeça é o de vigiar os hábitos de Barack Obama, como o de fumar. Os parvinhos elegantes, de ideologia tetraplégica, e as tias do século passado ficaram embasbacados com a novidade – Obama fuma; como é que ele vai fazer na Casa Branca, onde não se pode fumar? Naturalmente, vem até à porta das traseiras onde escapará dos moralistas. Interrogado pela imprensa, o presidente americano lá se justificou: “Mas olhem que tento ter uma vida mais saudável...”  Para começar, estar no poder não é nada saudável. Depois, desde que inventaram os políticos com “uma vida saudável” que deixámos de ter bons políticos. Um bom político precisa de um certo suplemento de vício. Olhem para a União Europeia e confirmem: saudáveis, sim, mas uma merda.

[Da coluna do Correio da Manhã.]

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Vida & morte.

por FJV, em 11.08.08

Há histórias de vida & morte que nos surpreendem porque confirmam e, em simultâneo, desmentem as estatísticas. Esta, trágica, confirma que o género humano está doente; e desmente que um certo grau de instrução pode torná-lo mais decente. Vai agora a julgamento, em Coimbra, o estudante universitário de 28 anos, ainda no curso Engenharia Civil, que matou a ex-namorada a facadas (vem no CM de ontem), com “repetidos e muito violentos golpes”, segundo a acusação – Maria José tinha-lhe dito que não, que não queria namorar mais com ele. Um ano depois, o relatório dos psicólogos diz agora que António, o criminoso, sofria de “uma baixa tolerância à frustração”. O género humano não aprendeu nada com anos e anos de experiência. Torna-se apenas mais idiota e mais previsível. É assim.

[Da coluna do Correio da Manhã.]

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Massagens.

por FJV, em 29.07.08

 

Vai uma grande orgia pelas praias algarvias. Famílias inteiras, entregues ao prazer do sol e do mar, abandonam-se também – em pleno ‘espaço público’ – a massagens que podem ser perniciosas para o pudor da Pátria. Não sou eu quem o diz: é o comandante da Zona Marítima do Sul, que eu ouvi numa reportagem da TSF. Segundo o comandante sabe-se como uma massagem começa mas nunca se sabe como acaba – o leitor que imagine o despautério e a desvergonha. Uma coisa leva à outra e o comando marítimo tem de zelar pela nossa integridade física, pelo pudor das quinas e da esfera armilar. O Allgarve pode ser cosmopolita mas há massagens e massagens e nunca se sabe como reage esta gente que se estende ao sol para ser friccionada com bálsamo e arnica. Vai uma grande orgia nestas cabecinhas.

[Da coluna do Correio da Manhã.]

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Moral.

por FJV, em 17.05.08

Quando se abordam questões relacionadas com o tabaco, entramos num domínio claramente irracional, comparável ao do futebol. Por um lado, é um método para os blogs subirem audiências; por outro, sobretudo naqueles que têm comentários abertos, é uma oportunidade de abrir debates e de receber vários insultos. Três notas apenas, independentemente do que escrevi antes:

1) O Francisco Mendes da Silva localizou a questão da moral; ou seja, mudou-a de lugar, e fez bem. Eu tinha chamado moralista à notícia do Público; o FMS acha que a questão moral se deve colocar no âmbito da moralidade política básica: para que «nos perguntemos se a lei que com tanta gravidade nos impuseram é verdadeiramente para ser aplicada ou se não passará, afinal, de uma proposta de vida do tipo religioso e, portanto, de letra-morta jurídica». Ou seja, se bem entendi: se se trata de uma lei, é uma prescrição para levar à letra e não para eleger apenas como princípio orientador, sujeito ao livre-arbítrio. Resposta: é uma lei assinada por José Sócrates.

2) O ressentimento seria natural. Se Sócrates assinou a lei, se a Direcção de Saúde evangelizou com espalhafato, e se a larga maioria da sociedade («sociedade» é um termo difuso, sim) apoiou a lei, então é preciso fazer com que Sócrates pague: a multa, em primeiro lugar; politicamente, em segundo lugar. É uma vingança que qualquer fumador exige em nome da coerência. E, no entanto, é de ressentimento que se trata. Ou de como um cigarro abalou a cena política e lançou ainda mais desconfiança sobre os políticos e os jornalistas, uma vez que se podia geralmente fumar nas três ou quatro últimas filas dos aviões das comitivas oficiais. O grau de ressentimento é maior porque a notícia, que podia ser dada há oito anos, quando creio que se deixou de fumar a bordo da TAP, só foi dada agora.

3. O pior de tudo: a declaração de José Sócrates, aceitando a punição e dando um passo em frente. Ninguém lhe tinha pedido para deixar de fumar. Mas, depois de um «mau exemplo» (do ponto de vista da moral), o «bom exemplo», porque vai «deixar de fumar». Mais uma vez, a moral. Não há paciência.

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Fumo em Caracas.

por FJV, em 13.05.08

O Público, na sua edição online, passou-se, cheio de moralidade e de pruridos, e descobriu que se fumava a bordo de aviões fretados onde viajava o primeiro-ministro, ou outras figuras do Estado. Grande novidade. Estranho muito que isso seja notícia, e ainda por cima assinada pelo meu amigo Luciano Alvarez. Ora aí está um epifenómeno transformado em primeira página de um jornal moralista. Nunca esperei ter de dizer isto.

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O milagre finlandês.

por FJV, em 04.04.08

O ministro dos Estrangeiros da Finlândia, Ilkka Kanerva, foi despedido por ter enviado mensagens picantes e eróticas do seu telemóvel para o de uma concidadã. Uma das mais picantes era “Tens cuidado bem do teu jardim?” Abençoada Natureza que fez o Norte e o Sul e nos colocou à beira do Mediterrâneo, longe do milagre finlandês.

[Da coluna do Correio da Manhã.]

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