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Escândalo.

por FJV, em 12.01.09

Os burocratas estão escandalizados com esta exposição, mas supõe-se que ela cumpre um serviço aos europeus: é cruel.

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Comissão Europeia: «Uma nova era para os pepinos curvos e as cenouras nodosas.»

por FJV, em 13.11.08

É um documento notável e maravilhoso. De acordo com uma directiva da Comissão Europeia, espécies hortícolas e frutícolas, como damascos, espargos, beringelas, feijões, couve-de-bruxelas, cenouras, couve-flor, cerejas, pepinos, alhos, repolhos, melões, cebolas, ou espinafres poderão passar, finalmente, ser vendidos em formatos ‘deformados’. Já outras espécies, malévolas, irregulares e desobedientes, como maçãs, kiwis, alfaces, pêssegos, morangos e tomates terão de se apresentar com os tamanhos que a comissão define no gabinete. Segundo a comissária da agricultura (a sério), é “uma nova era para os pepinos curvos e as cenouras nodosas”. Os nossos quintais rejubilam, eufóricos, ao verem que Bruxelas continua a meter os legumes na ordem. E os cidadãos festejam por não lhes alterarem o calibre dos tomates.

 

 

Chamo ainda a atenção para esta notícia: «O Banco Alimentar de Luta contra a Fome esteve impedido este ano de distribuir frutas e legumes a quem recorre aos seus serviços para poder comer porque não está autorizado a distribuir frutas e legumes que não cumpram os parâmetros de tamanho e cor impostos pela União Europeia.»

 

 

Adenda: o boneco do Pedro «Irmão Lúcia» Vieira:

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Scanner.

por FJV, em 27.10.08

José Medeiros Ferreira chamou a atenção para este assunto no sábado passado: a Comissão Europeia, para que não a acusassem de não prestar atenção aos detalhes, já enviou para o Parlamento Europeu uma proposta que autoriza a utilização de 'scanners' nos aeroportos. Para quê? Para ver os cidadãos por dentro – uma ideia que faria as delícias dos adolescentes de há uns anos quando se sonhava com câmaras fotográficas que eliminassem as roupas. Pois a Comissão Europeia consegue, por lei, obter aquilo que nós apenas imaginávamos na nossa adolescência cheia de hormonas, libido e apetites. Blimunda, a personagem de Saramago, no Memorial, também via as pessoas por dentro desde que estivesse em jejum. Para a Comissão Europeia basta-lhe uma lei. Não precisa de imaginação nem de juízo.

[Da coluna do Correio da Manhã.]

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Europa irlandesa.

por FJV, em 18.06.08

A Europa, que foi berço de várias civilizações – e não apenas de uma, maneirinha e conformista – não merece tanta arrogância desta gente mal-educada que se põe a pregar moral aos irlandeses por ter votado como votou. O argumento de que apenas dois milhões de irlandeses põem em causa o Tratado de Lisboa não pega: na verdade, apenas eles foram consultados. Se o texto do Tratado é assim tão complexo que apenas as luminárias das altas esferas o entendem, pois que trabalhem (para isso são pagos pelos contribuintes e cidadãos da Europa) e o ponham em língua de gente. Os europeus podem ser cépticos, mas não são tão estúpidos como querem fazer crer – e não podem ser tratados como o velho Mao Tse-Tung tratava os chineses: como carne para canhão. A piada é para Durão Barroso, sim.

[Da coluna do Correio da Manhã.]

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Um Estado censor.

por FJV, em 16.06.08

A UEFA é um Estado entre uma série de Estados. Só que o seu poder é transnacional, sobrepondo-se às leis comuns. Nos seus tribunais aplica-se apenas a sua lei, que muitas vezes contraria a lei geral. Além disso, censura deliberadamente, omite passagens de jogos, proíbe repetições de jogadas polémicas e impõe livremente a sua mão de ferro às televisões. Os jornalistas destacados para os estádios contentam-se em ir, mas os telespectadores querem que a televisão, pelo menos, não minta. É a altura de a União tomar uma posição sobre este império.

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Aprovais, pois, o Tratado de Lisboa.

por FJV, em 08.06.08

Reparem na notícia:

«A Eurocrats-only express service will be launched next month to ferry MEPs and officials in luxury at 186mph between one European parliament in Brussels and the other in Strasbourg. The buffet car will, of course, be fully stocked.

The Strasbourg Express will leave Brussels for the first time at 9.57am on Monday, July 7. Each return journey will cost the taxpayer about £158,000, but the fare-paying public will be banned. MEPs will pay £170 for a return ticket, but will then be reimbursed.

“The public will not be able to buy tickets or use this train,” said Thalys, the high-speed train operator that will run the service.

While ordinary passengers make do with a rickety scheduled service known as “the cattle truck”, which has no refreshments, Eurocrats can enhance the enjoyment of their journey with a choice of fine French, Australian and Chilean wines.
Whether gravy will actually be served is a moot point, but along with popular Belgian beers, savoury snacks will be on offer.
Every month, when the European parliament moves to Strasbourg, the “train of shame” will leave Brussels on a Monday, returning the following Thursday, with up to 377 MEPs and officials travelling each way in three spacious carriages. It is widely seen in Brussels as a gimmick to boost the French, whose insistence on maintaining the second parliament in Strasbourg makes such journeys necessary in the first place.»

 

Claro que o cidadão europeu não tem a clarividência necessária para compreender isto.

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Génios, simplesmente génios.

por FJV, em 08.06.08

O Euronews mudou de logotipo: «The channel's new logo is a simple white circle, and is the result of 2 years of work and research conducted by the European broadcaster and its communication agency, FFL.» Dois anos.

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O que é o optimismo histórico.

por FJV, em 21.02.08
Essencialmente, pode ser o discurso da eurodeputada Assunção Esteves no Parlamento Europeu (via) a propósito da aprovação do Tratado; citemos: «uma humanidade sem fronteiras», «sonho de uma justiça global», «um direito cosmopolita entranha a história da União Europeia», «vontade moral que se instalou nas instituições e transformou os velhos paradigmas da política», «a razão como critério», «a soberania dos direitos, em vez da soberania das fronteiras», «marcha para uma democracia de larga escala», «[o Tratado de Lisboa] quebrou a hegemonia legislativa da Europa dos Governos», «mais política e menos burocracia», «uma Europa pós-nacional está já a nascer», «Babel construirá a sua torre».
Valha-nos São Cristóvão, santo protector contra os pesadelos.

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...

por FJV, em 23.10.07
|||O Tratado é complicado de mais.
De novo, excelente crónica de Manuel António Pina no JN de hoje:
«Dir-me-ão que Sócrates, na campanha de 2005, nos garantiu que haveria, que repetiu o mesmo já este ano (como que por acaso no dia 25 de Abril), que CDS, PCP, BE e o presidente da República o disseram também, que o PSD ainda há um mês o dizia. Só que, depois destes anos todos, já sabemos quando os políticos mentem: é quando estão a mexer os lábios. Não gastaria, por isso, cera com tal defunto não fosse o argumento de Vital Moreira, porta-voz oficioso do Governo, contra o referendo: o Tratado é complicado de mais para a mente simples do "cidadão comum", se o "cidadão comum" tentar lê-lo não passa da segunda página. Acha Vital Moreira que os "cidadãos incomuns" que se sentam na AR lerão o Tratado de fio e pavio e só o votarão depois de o compreenderem. Ora só quem não conhece o espírito crítico e a independência e craveira intelectuais que vão pela AR é que não lhe dará razão.»

[FJV]

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por FJV, em 20.10.07
||| Não acreditem neles.
Sobre este post, o seguinte: eu sei bem que não vai haver referendo. Não é necessário, bem vistas as coisas. Não era necessário há uns meses; acredito na Europa a trinta velocidades, dispersa, reunida em torno de um tratado e de uma burocracia própria. Já não há volta a dar-lhe. O Tratado aprovado em Lisboa está assente sobre uma série de plataformas que também não foram referendadas e que talvez devessem ter sido referendadas; é difícil submeter este Tratado a referendo; o que está perdido, perdido está. Acham que os franceses eram mesmo, realmente, profundamente, contra a Constituição Europeia, ou apenas tinham medo dos canalizadores polacos e da ameaça de terem de trabalhar e reduzir o défice como os outros? Querem referendar o «porreiro, pá» de José Sócrates, ou querem discutir o Tratado? Está na cara.
Isso é uma cousa. Outra, diferente, é a paranóia festiva que tomou conta dos jornalistas de televisão, envoltos em nuvens de Murganheira Grande Reserva de 1985, e a consequente falta de informação e de discussão sobre o que perdemos e ganhamos com o Tratado. Está na cara dos tratantes.
[FJV]

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