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Abraços a Chávez.

por FJV, em 19.11.08

A vida é como é e nada impede o governo português de negociar com a Venezuela; preferia era que o meu governo não andasse aos abraços com o arrivista de Caracas, o homem que ameaça e chantageia os venezuelanos durante a campanha eleitoral que termina esta semana. Chávez ameaça as regiões “rebeldes” com tanques e cortes de verbas, usando dinheiros públicos para promover os seus candidatos, para não repetir os resultados desfavoráveis do referendo com que pretendia ser nomeado ditador. Uma das novidades, desta vez, foi a promessa de prender pessoalmente os opositores e de incendiar as câmaras da oposição. Se é preciso petróleo venezuelano, pois que se compre – e que Sócrates se reúna com Chávez. Mas, repito, evitem as cenas de abraços amorosos e cúmplices diante das televisões.

[Da coluna do Correio da Manhã.]

 

P.S. Já imagino o discurso de Alberto Martins sobre a falta de cultura cívica...

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Justiça.

por FJV, em 16.07.08

 

A justiça não pode ser feita com preconceitos. Um deles, o mais grave, é o da admissão prévia da culpabilidade dos suspeitos, ainda nem sequer acusados – uma espécie moderna de ressentimento e de maldade. Os casos Apito Dourado e Maddie são exemplos disso e de como a opinião pública pode perder a confiança nas investigações e na própria justiça. Chegámos a um impasse e regressámos ao ponto em que ‘as coisas vão dar em nada’. Por mais que o Ministério Público recorra automaticamente (como manda o PGR) fica a desconfiança sobre os métodos, as razões e os orçamentos gastos numa investigação que pode acabar afogada em desprestígio. A justiça tem de ser mais cuidadosa com o foguetório que lhe gasta os fundos, lhe malbarata a credibilidade e a associa a gente muito duvidosa.

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Amor às vezes.

por FJV, em 16.07.08

 

Um estudo concluído pela Universidade do Minho alertava ontem as consciências mais modernas da Pátria para o facto de 25% dos jovens entre os 15 e os 25 anos já terem sido vítimas de violência numa relação amorosa. Entenda-se: as moças, em larguíssima maioria. Essa violência inclui o ‘sexo forçado’ ou a violação, se bem que, para os energúmenos entrevistados (adolescentes a precisar de estaladas) o ‘sexo forçado’ não signifique ‘violação’. Aí está uma não-definição primorosa. Na ‘relação amorosa’ desta rapaziada cabem ‘sovas, murros e pontapés’. Não fico espantado ao ler os números nem as descrições. Tratados como ‘bons selvagens’ pela escola e pelo Instituto da Juventude, eles fazem tudo para merecer o atributo. O amor pode ser cruel, mas há coisas que escapam ao entendimento.

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O que anda à solta na net.

por FJV, em 14.06.08

Eu já tive outra opinião. Notícias como esta merecem atenção porque configuram uma nova realidade na net ou, se quiserem, na web 2.0. Aviso que estou cada vez mais céptico em relação às suas maravilhas; atribuo o problema à idade e evito discutir o assunto, mas acho, na mesma, que o código genético da web 2.0 não oferece todas as garantias. Penso que é um tema que nos devia ocupar.

 

Há uns meses rir-me-ia das excessivas cautelas de Andrew Keen, neste livro (O Culto do Amadorismo. Como a Internet está a Matar a Nossa Cultura e a Assaltar a Nossa Economia, edição Guerra e Paz). Hoje penso que os danos colaterais da web 2.0 estão a ser cada vez mais prejudiciais para a nossa cultura, para a nossa liberdade e para o nosso trabalho. Releio George Steiner para não cair em tentação.

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Maio de 68 visto pelas mulheres.

por FJV, em 01.05.08
Curiosamente, interessa-me a matéria que o Expresso vai publicar sobre o Maio de 68 visto pelas mulheres. Ao recordar as fotos da época, mal me lembro de ver mulheres tomar a palavra; eram homens, em 90% dos casos. A esta distância, o que pensam as mulheres dessa fauna revolucionária que apregoava o que sabemos, mas que em casa se comportava da mesma forma, sem lavar a louça, sem mudar as fraldas, ocupados com o novo mandarinato que tinham de gerir? A principal conclusão, diz o Expresso, «é que o Maio de 68 valeu a pena, mas quem nele participou também identifica hoje alguns dos maiores erros  -- falhou a questão da liberdade individual, falharam na educação dos filhos».
Por acaso, o machismo à esquerda é um assunto a tratar.

Publico aqui a minha homenagem.

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The Job Market.

por FJV, em 27.04.08

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A vida dá muitas voltas.

por FJV, em 22.04.08
Parece que Zita Seabra, ontem, no Prós e Contras, justificou a aparente saída de Menezes com uma questão de invasão de privacidade. Claro que quando se expõe a vida privada, ela deixa de ser privada. Mas mesmo assim ainda é privada; só que se permitiu que fosse olhada em público, de janelas abertas. Vidas difíceis.

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Anti-abrupto.

por FJV, em 23.12.07
Crónica de Ferreira Fernandes no DN de hoje.

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O mundo perfeito.

por FJV, em 16.12.07


Eu bem os compreendo. O mundo seria perfeito, mas não é. Não vai ser. Pensamos que basta dar o exemplo, ler, ouvir música, oferecer livros, sermos honestos – e generosos, educados, prestáveis, interessados, tolerantes. Com isso o mundo seria melhor. Mas não basta, infelizmente não basta. Com isso, os adolescentes das escolas seriam pessoas melhores, não usariam aquela gramática de grunhos, não faltariam às aulas, não desdenhariam dos professores que se esforçam e lhes ensinam a diferença entre o culto e o inculto, o cru e o cozido, o bem e o mal, o frio e o quente. Mesmo dos outros, que não acreditam que existe um bem e um mal. O mundo seria perfeito. As famílias seriam honradas, pacíficas, passeariam ao domingo, fariam piqueniques, todos ajudariam a arrumar a cozinha e dormiriam a horas. Os nossos filhos leriam Dickens e Eça – ou, na pior das hipóteses, arrumariam os livros nas estantes. Eu bem os entendo – mas não basta. É necessário ser cruel, é preciso usar a autoridade quando não se quer, é indispensável dizer não quando até poderíamos dizer sim, pensar no que significa, de facto, a palavra exigência. A vida não é fácil. Não nos basta sermos o que somos; é sempre necessário sermos perversos e sentirmos culpa.

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