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Savonarola.

por FJV, em 22.05.18

Pouco tempo depois da invasão francesa da península italiana, em 1494, o frade dominicano Girolamo Savonarola (nasceu em 1452, alguns meses depois de Da Vinci), pregador e profeta, queria fazer de Florença uma “república popular”. Odiava os Médici e a corrupção do clero, detestava o ambiente de luxo em que os florentinos e a cúria romana viviam, defendia o regresso às virtudes piedosas do cristianismo primitivo e, de seguida, uma boa perseguição, com pancada se possível, aos hereges, pagãos e libertinos. Um dos rituais purificadores passava pelas “fogueiras das vaidades”, durante as quais se destruíam “livros desnecessários” (como os de Ovídio, Dante ou Bocaccio, para simplificarmos), objectos de luxo ou instrumentos musicais, manuscritos clássicos, tapeçarias, pinturas, tecidos, espelhos, esculturas, etc. – e Florença devia passar a ser governada “pela lei de Cristo”. Julgando-se a voz de Deus, foi excomungado pelo papa; acabou enforcado e queimado. Da Vinci emprestou o seu rosto ao Judas da Última Ceia. Amanhã passam 520 anos sobre a sua morte. Não foi um bom destino.

[Da coluna no CM] 

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