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Saramago não sei quantos anos depois.

por FJV, em 10.10.18

O presidente da República falou ontem sobre a sua relação com José Saramago e abordou o chamado “caso Sousa Lara” – quando este, então subsecretário de Estado da Cultura, vetou o nome de Saramago (com o romance O Evangelho Segundo Jesus Cristo) como candidato português a um prémio europeu de literatura. Fez bem Marcelo Rebelo de Sousa em lembrar o episódio de 1992, seis anos antes do Nobel: foi um acontecimento perfeitamente dispensável, que então já não era do nosso tempo. Mas é bom recordá-lo por outro motivo – porque traduz bem o tipo de imbecilidades que se produzem quando o Estado tem uma política ideológica ou de gosto para a área da cultura. Não cabe ao Estado, como um “comissário”, dizer “o que é português” (foi esse o argumento usado), o que “nos representa”, o que é ideológica ou politicamente correto, o que é “ofensivo”, ou o que está ou não “do lado certo” da História. É por isso, já agora, que o Estado não deve meter-se no “caso de Serralves” – como pretendem algumas vozes, saudosas de uma intervenção amiga e, para todos os efeitos, capturada e manietada. 

 

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