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Roth devia ter escrito mas não escreveu.

por FJV, em 01.06.18

Dara Horn, uma autora estranhamente talentosa (está publicado entre nós O Mundo Que Virá), escreveu para o The New York Times um artigo sobre o legado de Philip Roth, que morreu no passado dia 22. O título é apelativo: “Tudo o que Roth não sabia sobre mulheres dava para encher um livro” (aliás, o que não sabemos sobre mulheres dá para encher bibliotecas). Várias feministas fartaram-se de saltear Roth na frigideira; neste caso, o defunto é acusado de não ter sabido criar personagens femininas complexas, de não ter feito justiça às mulheres e boas profissionais de New Jersey, e de não ter criado verdadeiras mulheres nos seus romances. A acusação procede e é justificada: Roth não estava interessado no assunto. Escrevia sobre o que queria e, quando escrevia sobre mulheres (como em O Complexo de Portnoy, para não ir mais longe), escrevia “do seu ponto de vista”, um judeu sexualmente promíscuo que gostava de gentias e que ignorava questões de género. A polícia da literatura avança a passos largos. Um dia alguém hostilizará Eça por não se ter interessado, vá lá, pela sardinha.

[Da coluna no CM] 

 

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