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Ricardo Chibanga.

por FJV, em 17.04.19

Que pena, Portugal; que pena não teres prolongado a vida e a glória de Ricardo Chibanga (1942-2019). Naquele belo poema de Alexandre O’Neill – “ó Portugal, se fosses só três sílabas/ de plástico, que era mais barato” – há referência a “toureiros da Golegã” e eu lembrei-me de Ricardo Chibanga, nascido em Lourenço Marques (no pobre bairro da Mafalala), que morreu anteontem na Golegã. Eu sei que as meninas e os meninos hoje não gostam de tauromaquia e ficam transidos de indignação com as praças de touros, mas isto não tem a ver com o assunto: Ricardo Chibanga faz parte da nossa galeria de retratos e devíamos amá-lo com orgulho. Recordo-me (era miúdo) do olhar, do sorriso e do “porte altivo do rosto” de Chibanga, o negro mais negro das arenas, o nosso toureiro preto vestido de ‘traje de luces’, desafiando um país branquinho “de plástico, que era mais barato”, levando cornadas e encarando a morte com galhardia. Chibanga interpretou (tal como outros, a lista é vã) o orgulho negro em Portugal. E devia – em conformidade – ser motivo de orgulho português, aplaudido de pé. Com solenidade.

Da coluna diária do CM.

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