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Li os relatos das acusações a Placido Domingo e fiquei com a impressão de que se tratava de literatura de terceira classe: pelas descrições, pelos adjetivos das denúncias, pelas circunstâncias, pela natureza do assédio e da insistência. Trinta, quarenta anos depois, essas acusações caem na maravilhosa carreira de Domingo como uma nódoa abominável – algumas delas são explicáveis, mas o “espírito da época” ou o desatino hormonal não serve de almofada para justificações. A única coisa que me causa impressão (ainda assim, sem surpresa) é o lapso de tempo. Trinta anos de silêncio esperavam o momento da vingança ou um “sentido de oportunidade” favorável. O tenor espanhol (um homem adorável e simpático que conheci de passagem e com quem falei de futebol e da sua paixão pelo Real Madrid – fui incapaz de dizer como gostava da sua voz) tem agora a honra a prazo trinta anos depois de ter cometido erros. Não é um bom final, embora levante dúvidas. O passado é sempre uma avalanche de perdas e erros.
Da coluna diária do CM.
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