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Patriotismo.

por FJV, em 05.02.16

O patriotismo é uma febre periódica. Samuel Johnson (1709-1784) chamava-lhe “o último refúgio de um canalha”, e a história relembra as patifarias que se fizeram em nome do patriotismo e as palhaçadas de quem o invoca a propósito de quase tudo e, na maior parte das vezes, a despropósito. Assemelha-se um pouco à “Lei de Goodwin”, que determina que uma discussão se encerra quando alguém compara o seu adversário a Hitler (a selvajaria da net conhece bem esta prática). A semana foi fértil em patriotismo: uma legião de crentes (legítima) nos êxitos do governo acusou os descrentes da doença contrária, o anti-patriotismo, peste das pestes. Pior: de traidores, sabotadores, lacaios, vendidos ao capital estrangeiro. Os patriotas absolutos de agora, impantes de fé, são os descrentes do patriotismo há um ano, quando estavam do outro lado da barreira. Pobre pátria. José Augusto-França resumiu a coisa de outro modo: a nossa maldição – a dos portugueses que vivem entre portugueses – não é a de que “quem tem um olho é rei”; é a de haver gente, espertinha e manhosa, que tira um olho para ser rei.

Na coluna do Correio da Manhã.

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