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Os autores, dispensáveis.

por FJV, em 23.02.22

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O The New York Times, uma espécie de órgão central dos maluquinhos de serviço, fez uma campanha sobre os seus tipos de leitores. Um desses tipos é Lianna, que é não-binária, queer e negra. O que a caracteriza como leitora? “Ela imagina Harry Potter sem a sua criadora.” Ou seja, sem J.K. Rowling, uma vez que J.K. Rowling foi acusada de transfobia apenas por dizer que não basta um homem sentir-se “mulher” para ser mulher – e que há uma dimensão biológica importante no feminino, tal como no masculino. Mesmo sem essa trangalhadança sexual, a ameaça está na ideia de imaginar um livro sem o seu criador: Harry Potter sem JK Rowling, porque ela é uma pessoa má; Os Maias sem Eça, porque ele “racista”; O Misantropo sem Molière, porque ele era soez; Orgulho e Preconceito sem Jane Austen, porque ela era conservadora; As Bruxas de Eastwick sem Updike, porque ele era machista – um mundo sem dificuldades nem discussões, nem dúvidas, bem contrariedades. É uma nova e brutal forma de apropriação – um mundo sem criadores nem autores, porque eles são incómodos. Só com patetices.

Da coluna diária do CM.

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