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O riso é antecâmara do pecado

por FJV, em 12.08.14

Em O Nome da Rosa, de Umberto Eco, o frade Jorge de Burgos achava que o riso era a antecâmara do pecado (o livro perdido da Poética, de Aristóteles, dedicado à comédia, estava envenenado). Semelhante opinião tem Bulent Arinc, vice-primeiro-ministro turco, que aconselhou as mulheres a serem mais sisudas “em espaço público”, evitando rir por dá cá aquela palha. É uma posição consentânea com certa leitura do Corão – provavelmente a mesma que leva o novo “imã” do califado sírio-iraquiano a decretar a excisão do clítoris a todas as mulheres que vivem no seu território; nem prazer, nem riso em público, nem praia, nem autorização para conduzir carros ou para viajar. Mas, pelo menos na Turquia de Bulent Arinc (e na de Erdoğan) sem riso. Há duas perspetivas: uma, explicar que foi contra este cenário que foi fundada a Turquia moderna e laica, a de Mustafa Kemal Atatürk, a partir de 1923; a segunda, garantir por todos os meios que as mulheres turcas, incluindo as muçulmanas, possam rir quando lhes apetece. E se alguém argumentar que o riso é antecâmara do pecado, sim, conceder com algum desprendimento que há essa possibilidade maravilhosa.

[Da coluna do Correio da Manhã]

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