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O ódio.

por FJV, em 19.04.18

Na altura em que se aguarda a publicação do segundo volume da História dos Judeus, de Simon Schama (Temas e Debates), e em que o anti-semitismo alastra um pouco por toda a Europa (em Inglaterra, o líder trabalhista, Jeremy Corbyn tem sido alvo de acusações de ‘ódio aos judeus’, inclusive pelo ‘mayor’ londrino, o muçulmano Sadiq Khan), lembremos o dia 19 de abril de 1506, há exatamente 512 anos – o início do chamado ‘massacre de Lisboa’, o primeiro dos grandes ‘progroms’ que tiveram lugar no nosso país. Garcia de Resende, na sua crónica de D. João II, contabiliza cerca de quatro mil vítimas (a descrição mais forte é a de Damião de Góis), mortas durante esses dois dias e meio de loucura que transformaram a cidade num campo de morte, tortura e ódio. 300 anos depois do massacre de Lisboa, do estabelecimento da inquisição e da fuga em massa de judeus, havia ainda ‘progroms’ e destruição de judiarias no nosso país. Esse ódio letal apenas se consegue explicar pela abundância de ressentimento nas nossas sociedades. Há 512 anos explodiu em Lisboa. Ficámos incomensuravelmente mais pobres.

[Da coluna no CM]

 

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