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O debate não é sobre a liberdade dos humoristas mas sobre a liberdade.

por FJV, em 24.11.17

A insistência no “politicamente incorreto” pode, claro, resvalar para o “politicamente abjeto” – esta evidência assusta a maior parte dos gramáticos que policiam a nossa linguagem. Ricardo Araújo Pereira está entre os alvos mais fáceis; nos últimos dias, foi acusado de quase tudo nas chamadas redes sociais, e não me custa acreditar que, em breve, seja acusado de homofóbico, racista, xenófobo – a lista habitual é uma argamassa, nunca se é acusado de uma só coisa e há de acabar como fascista, e assediador sexual. O debate não é sobre a liberdade dos humoristas mas sobre a liberdade em sentido lato (onde eles estão incluídos, porque caminham no fio da navalha). Nem sobre a ameaça à criatividade. Tem a ver com o desejo de silenciar os outros e de substituir a realidade por uma língua infantilizada e hipervigiada, sem pecado nem dúvida. Os filhos dos anos 60 e 70 não admitem contrariedades; quando estas existem, querem “zonas seguras”. Não têm sentido de humor nem lhes interessa o passado (a História). Antigamente, queríamos debater; as novas polícias do pensamento querem exterminar. 

[Da coluna no CM]

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