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Nórdicos, tão nórdicos.

por FJV, em 03.04.18

Os tempos favorecem o otimismo; felizes dos que contemplam o horizonte e ele lhes parece promissor. Pode parecer que em tempo de Páscoa fiquei em toada bíblica, mas o caso é de pura ironia (primeiro) e de algum temor (depois). Os leitores sabem fazer contas – e sabem que tudo o que sobe tem tendência a descer. Razão por que me parece importante a notícia de que cerca de 15% dos portugueses aceita fazer um empréstimo bancário para pagar férias e viagens em 2018. Onde é que já vimos isto? Recuemos dez anos – os tempos favoreciam o otimismo e os economistas incumbentes anunciavam décadas de prosperidade, telemóveis, sexo seguro, troca de carros e juros em conta, tudo em abundância. O Presidente da República disse há tempos que éramos “os nórdicos do sul da Europa”; Marcelo não conhece o pessimismo nórdico, cheio de frugalidade e temperança, mas ouviu falar da competência da multidão portuguesa para passar da euforia à estratosfera – e da estratosfera à depressão. Pelas minhas contas estamos na euforia; o mundo é um lugar amável até se iniciar a contagem descendente.

[Da coluna no CM]

 

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