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Morte, sempre a trair

por FJV, em 13.04.15

A morte aproxima-se devagar – mas é sempre fulgurante. Ontem, três nomes importantes para a literatura e para a edição, em níveis diferentes: o alemão Günter Grass, o uruguaio Eduardo Galeano e o editor francês François Maspero. Cada um deles foi importante para a esquerda e para as suas diversas causas – mas o mais importante foi terem escrito e publicado livros, ao contrário das ladainhas que se ouviram ontem, que às vezes quase esqueciam os seus títulos. Eu gostava de Grass por causa de O Tambor e de A Caixa, mas achava tudo o resto muito aborrecido. E fui um leitor de Galeano (o de Vagamundo e de Futebol de sol a Sombra – ele gostava de Eusébio). Por seu lado, Maspero foi um editor e livreiro importante, que durante uma década dominou a vida inteletual francesa. São símbolos que partem. Também era bom sabermos se têm substitutos à altura, seguidores, herdeiros, sucessores. Os de Galeano acusam-no de traição. Primeiro, em Brasília, na Bienal do Livro, falou mal do seu próprio livro, As Veias Abertas da América Latina – um panfleto de economia que fez escola nos «estudos coloniais». A multidão de seguidores não o desculpou, nem lá nem nos EUA. 

 

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