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Morrer de amor. Já não se usa, já não acontece – e não se recomenda. Camilo Castelo Branco, ele próprio (que tantas histórias de amor de perdição escreveu), desconfiava da nossa capacidade para morrer de amor. A própria palavra, “amor”, tem os seus dias contados: curte-se bastante; combinam-se vidas; acontecem encontros – mas as histórias de amor são secretas, castas e desconhecidas (Nelson Rodrigues, um dos maiores génios brasileiros, dizia que o pudor é o melhor dos afrodisíacos). O CM de ontem, no entanto, conta em breves linhas uma das mais tristes histórias de amor deste tempo de banalidade: o casamento da guineense Celeste Biagué com o seu namorado Rui. Celeste, 42 anos, morreu de ataque cardíaco na altura em que se preparava para atirar o buquê de flores às suas convidadas, e, portanto, passar aos outros a sua história de amor. Vendo as fotos desse casamento – o vestido de noiva, o riso de Celeste e Rui – não celebro senão a tristeza das vidas interrompidas. Só nos damos conta da necessidade de histórias de amor quando alguém vive a tragédia dessa interrupção.
[Da coluna no CM]
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