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Olhar um livro alguns anos depois não basta – é preciso recordar um pormenor que há-de constituir uma revelação. Depois, essa revelação estende os seus caminhos: um autor, uma ventania, uma sobreexposição, um amor perdido, uma recordação de adolescência, uma memória pessoal. Para isso serve a nossa biblioteca, nem sempre a mais comum, às vezes sucumbindo ao desejo do segredo. Leio as crónicas de Pedro Mexia incluídas em Biblioteca (Tinta da China) com um sentimento de gratidão e de deslumbramento: é muito difícil (raro, incomum, singular) encontrar este desejo de perdição pela literatura. Não como uma militância, mas como uma condição do destino. Há quem a procure uma vida inteira, com o habitual défice de talento; e quem, como Pedro Mexia, nos faz percorrer todo o caminho de volta, até ao silêncio. Conseguir isto é raríssimo.
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