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Maio, maduríssimo.

por FJV, em 11.05.18

Há cinquenta anos, a velha França – reacionária, gaullista, de faixa republicana a tiracolo, empertigada, herdeira do pós-guerra e do trauma da Argélia – foi abalada pelo “Maio de 68”, sobre quem este mês se preparam celebrações incessantes, uma espécie de visita guiada de revolucionários aos lugares onde levantaram as pedras da calçada e dormiram ao relento. Compreende-se a celebração da festa, das frases surrealistas, da euforia anarca desse mês, da greve geral, das barricadas e das assembleias universitárias; é um belo repositório de imagens televisivas, a que se acrescenta o folclore tradicional. E de algumas heranças de que beneficiamos todos (ao contrário do que se esperava, o individualismo, por exemplo); parte delas são anunciadas desde o início da década, da minissaia ao rock, da lei do desejo à falência do estalinismo, e explodem durante esse mês. A verdade é que 1968 – uma ventania de recusas e revoltas – não foi apenas em Paris e começou antes das frases de grande impacto. O efeito libertador também trouxe mandarins pataratas, o que não foi grande resultado.

[Da coluna no CM]

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