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Liberais sem pátria.

por FJV, em 05.02.16

Aos tropeções, o século XIX aparece-nos como uma revelação sobre as discussões que hoje deveríamos ter – e, miseravelmente, não temos. A menção ao Fontismo e a Fontes Pereira de Melo tem contribuído para esquecer um país profundamente iliberal que teme desafios e que, ao enfrentá-los, procura desculpas e ilusões de grandeza. O anátema contra Fontes (1819-1887) pretende que o fontismo se limitou a espalhar caminhos de ferro, estradas, portos e uma reforma da administração pública ou do sistema de pesos e medidas; Fontes seria uma figura de tragédia, “sem ideias” (tese muito grata a Oliveira Martins) e que no seu projeto para o país ignorava a “dimensão moral” do progresso. Num livro notável (Fontismo. Liberalismo numa Sociedade Iliberal, Dom Quixote), David Justino relê o Portugal de oitocentos e mostra o esqueleto da retórica protecionista, iliberal, corporativista, moralista, que vem até aos nossos dias. Por detrás do horror à liberdade, uma multiplicação de castas, oligarquias e privilégios (à esquerda e à direita) – como hoje, portanto. Belíssima leitura para os nossos tempos.

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