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Guerra Fria.

por FJV, em 29.03.18

Salazar foi a velha raposa amoral e prudente que, até ao limite, manteve o país a flutuar entre os dois lados durante a II Guerra. A situação repete-se agora: Portugal parece o funâmbulo equilibrando-se num arame, declarando-se “europeu” mas sem se juntar ao clube. Ora, por detrás da “crise Russa” há um combate entre o Ocidente e a Rússia que não se reduz ao envenenamento de um espião – e tão pragmático como o pragmatismo português, que joga em vários tabuleiros (o da geringonça interna e o das exportações). Putin, o patrão da autocracia eletiva russa, cujo avô foi cozinheiro de Lenine, é um produto da Guerra Fria – e só sabe viver nesse clima, onde a regra é esticar a corda (na Crimeia, na Síria e na internet) e minar o adversário. O cenário é, por isso, o da Guerra Fria num tabuleiro quadripartido, mas com a Europa sem autoridade moral para se opor ao populismo russo e sem energia (e impérios) para comparar com a economia asiática. Churchil, entrou na guerra em nome de valores nobres; hoje esses valores (como o da liberdade) não comovem os europeus. Maus tempos, maus tempos.

[Da coluna no CM]

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