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Ficção e realidade.

por FJV, em 20.04.18

Passei anos e anos a ler e estudar literatura policial e de espionagem. São géneros enganadores – onde a “classe educada”, preguiçosa, vê sangue e misérias, o “leitor educado” (coisas diferentes, como de costume) apaixona-se pelas artimanhas, pelos truques, e pelo próprio espírito da investigação. Há espionagem de categoria, bem escrita, com grandes argumentos – e há thrillers para leitura rápida. Mas enganam muito. Ao ler e reler o material publicado em redor das operações Marquês, Lex, Monte Branco, EDP e seguintes, tentei desenhar um organigrama, que rapidamente passou a dois, três, quatro. Há ligações entre todos eles. A cor principal desses laços é a do dinheiro: dinheiro a mais, dinheiro obscuro, dinheiro fácil, dinheiro que muda de mãos e gera mais dinheiro. Depois, a do poder: cargos, cumplicidades, conhecimentos. Nada se faz sem ambas. De Luanda a Miami e ao Panamá, de Zurique a Lisboa e a S. Paulo ou NY, o leitor desse romance que vem nos jornais não dê o seu tempo por mal empregue. Ao contrário da literatura portuguesa, as personagens são de primeira ordem.

[Da coluna no CM]

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