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Festejos e lamentos.

por FJV, em 05.02.16

Almoço com um amigo que não via há um, dois anos (somos amigos há muito e, portanto, é como se nos víssemos no futebol na semana passada). Festejos e lamentos, vidas passadas e futuras, a saúde (agora preocupamo-nos, claro), os livros. Acabou de ler uma tese de doutoramento escrita com erros de ortografia, sem sintaxe mas com muitos lugares comuns. Lamentos, portanto. Já ninguém sabe latim. Grego, impossível – ao contrário da Alemanha, nos EUA e de Inglaterra, onde os estudos clássicos, resistentes, regressaram à universidade. A inglesa Mary Beard é uma estrela da história antiga, com emissões de televisão e best-seller em livrarias; em Portugal, Maria Helena da Rocha Pereira, Frederico Lourenço, Rosado Fernandes, Ascenso André – são excentricidades; veneradas, mas excentricidades. Será da idade, ou de assistir a uma certa decadência da curiosidade, do conhecimento, do debate, substituídos pela matraca pós-moderna? Outro amigo queixa-se: os seus alunos – literatura, filosofia – leram uma média de meio livro por ano. Somos uma velharia. Ainda acreditamos no mistério. Juntamo-nos para festejos e lamentos.

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