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Estruturais, tão estruturais que somos.

por FJV, em 02.08.22

Houve um tempo em que os linguistas se ocupavam também de filologia e faziam a história das palavras – também era a época em que as pessoas se preocupavam com a elegância e a correção das suas frases e não apenas com a sua “eficácia”. A “eficácia” é um conceito demasiado sensível, porque não depende de nenhuma gramática, de nenhum sentido, de nenhum respeito pelas palavras. O objetivo é conseguir determinado efeito. Com o analfabetismo reinante e desculpado (e muitas vezes valorizado), o uso de palavras como “resiliência”, “robusto”, “evidência (científica)” leva a que seguidores compenetrados e servis usem a mesma linguagem e a repliquem – apreciam ser identificados como parte do exército que usa aquele dicionário truncado. Depois de o primeiro-ministro ter usado a expressão “problemas estruturais” para mencionar aqueles que só iria resolver depois de setembro, multiplicou-se o uso de “estruturais”. Está a ser uma epidemia de coisas “estruturais”, com o repenicar do beicinho muito volátil, a dizer: “Eu já aprendi, eu já sei fazer coisas estruturais.” A tolice tem certa resiliência.

Da coluna diária do CM.

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