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Dizer e fazer coisas importantes

por FJV, em 13.04.15

 

Há uma «nova batalha» no mundo da crítica literária: a do género. Uma organização americana que promove a representação das mulheres na literatura (Vida, Women in Literary Arts) analisou 15 publicações literárias influentes no mundo anglo-saxónico e chegou à conclusão de que, muito embora as mulheres dominem as listas de best-sellers (de J.K. Rowlling e Donna Tart a Hilary Mantel), apenas 30 por cento das críticas são assinadas por mulheres. Um outro estudo (no Reino Unido) diz que as mulheres são responsáveis pela compra de dois terços de todos os livros publicados, e que 50% das mulheres são ‘leitoras ávidas’, contra apenas 26% por parte dos homens. A “representação” não me diz muito – mas estes números explicam por que razão as mulheres têm hoje mais sucesso nas universidades e na vida profissional: leem mais.

O documento circulou por todo o mundo e era relativamente pacífico; mas a capacidade de o politicamente correto cair no albergue da palermice é sempre capaz de nos surpreender. O Vida defende mais: que os escritores, independentemente do género, não devem apenas criar personagens femininas – mas pô-las, nos romances, a «dizerem e fazerem coisas importantes». Que grande ideia. Estaline corrigiu páginas de Gorki enquanto decidia que temas deviam os escritores tratar; na China, o governo manda os escritores para os arrozais para escreverem sobre os rouxinóis; as feministas americanas mandam implantar neurónios artificiais.

 

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