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Dar obrigadinhos.

por FJV, em 02.11.18

Coisas “identitárias” estão na moda, já se sabe. Veja-se a “festa de Halloween”, importada da sua versão americanizada e televisiva – mas na verdade uma criação pagã e celta que anuncia o inverno. Nada a fazer contra a mania do Halloween por melhores que sejam as razões (por exemplo, acabar com as mascaradas patetas), e quem sabe se um dia não teremos jantares de Thanksgiving (a tradução livre de “dar obrigadinhos” seria cómica), nem que seja pelo cardápio de peru no forno com puré. Daqui a alguns anos, alguém se lembrará de reabilitar as festas de São João com bailarico e fogueiras, coisa que recomendo, e se abandonará o fedor das caríssimas sardinhadas no Santo António (um roubo). Nas aldeias da minha infância havia rapazes com máscaras e fatiotas de diabo no fim do ano, antes de este se chamar “reveillon”. Em tontice, o Halloween dos adultos rivaliza com os foliões de carnaval a desfilar entre bailarinas seminuas no frio de fevereiro. A verdade é que, há trinta anos, o fado era “fascista” – e hoje é de novo uma das glórias do regime. São as anedotas da “identidade”. 

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