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Cigarros sem filtro

por FJV, em 14.08.14

No fundo, namorar com Lauren Bacall tinha sido um sonho de juventude. Namorar é uma maneira de dizer. Passear à beira-mar, dizer-lhe que Humphrey foi bom compincha mas que eu estaria à altura, levá-la a comer lagostins, ler-lhe sonetos, cozinhar, preparar-lhe um whisky, ir buscar-lhe os seus cigarros sem filtro. E agora, o que poderia eu dizer àquela mulher? Havia mais gente à mesa, mas eu estava à sua frente e os outros falavam de cinema. Ela ouvia (era um restaurante em Tróia, diante do mar) e fumava cigarros sem filtro. Então, eu disse a pior das banalidades, que nem um adolescente: “Gosto tanto de si.” Ela deitou a cabeça para trás e riu. Uma gargalhada que havia de tirar o tesão a Humphrey, como em To Have and Have Not, em The Big Sleep ou Key Largo. “Desculpe, não fui capaz de melhor”, disse-lhe eu. Respondeu ao acender um novo cigarro: “Sim, mas foi capaz de o dizer.” Foi em 1993. Na altura havia Chesterfield sem filtro.

[Da coluna do Correio da Manhã]

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