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Carlos Oliveira, novo adeus.

por FJV, em 02.07.21

Nascido sob o signo do neo-realismo, e sendo um dos seus estandartes, Carlos Oliveira ultrapassa as limitações e a ortodoxia daquela escola; aliás, não há autor cuja obra tenha chegado aos nossos dias que não tenha saltado o muro para outras referências (Urbano Tavares Rodrigues fê-lo de forma muito acentuada entre nós, tal como Jorge Amado no Brasil). A partir dos anos 60 seria impossível manter a lógica do “realismo socialista”, e a derradeira obra de ficção de Carlos Oliveira, Finisterra (de 1978), é uma desconstrução do espírito do próprio romance tradicional, talvez porque fosse essa a única forma de escapar à quadratura ideológica. Infelizmente, à inevitável desatualização do neo-realismo seguiu-se uma espécie de “limpeza” dos seus autores, o que é uma pena para nomes como Manuel da Fonseca, por exemplo, e mesmo para esse romance quase arqueológico, Esteiros, de Soeiro Pereira Gomes. Seja como for, Carlos Oliveira, que escreveu Casa na Duna (1943) ou Uma Abelha na Chuva (1953), além de uma poesia hoje esquecida, morreu há 40 anos – assinalados hoje. Devemos lê-lo.

Da coluna diária do CM.

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