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Bola.

por FJV, em 13.02.19

Parece que o estádio municipal de Braga, construído para o Euro 2004, começou com um orçamento de 65 milhões e poderá, no total, chegar aos 180. Os deslizes desta natureza aconteceram com outros estádios – que, além do mais, poderão ser demolidos (como o de Aveiro, prodígio de mau gosto) e transformados em outra coisa qualquer. A “indústria de eventos” é de cálculos difíceis e representa um investimento não a fundo perdido, mas a “fundo desconhecido”. A embaixada do rei D. Manuel I ao papa Leão X, em 1514, somou um valor de 500 mil cruzados em oferendas, muito mais do que estava previsto. Foi Leão X que esteve na origem das grandes críticas de Lutero – os fundos portugueses prolongaram o fausto da Roma de então, que vendia indulgências e licenças; foi um negócio discutível, mas mais ou menos claro. Já o dos estádios do Euro 2004 nasceram no período de “dinheiro a rodos” que quatro anos depois terminou em depressão e ficará sempre obscuro. Além do caso da Caixa, o dos estádios continua a atormentar-me. Mas como é conluio com o futebol, trata-se de interesse nacional, não é verdade?

Da coluna diária do CM.

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