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Aznavour, as despedidas.

por FJV, em 01.10.18

As minhas canções de Aznavour não são as mais óbvias – e a lista começa por “For Me, formidable”, que é um hino perdido e divertido à própria natureza da arte de Aznavour como compositor, criador de canções, humorista da melancolia. Talvez tenha em segundo lugar outra canção do género, “Mes emmerdes” – em matéria de hinos, toca em todos os capítulos da minha vida. Sim, claro que há ‘La bohème’  e ‘Que c’est triste Venise’, inesquecíveis, mas as canções de segunda linha são sempre mais eficazes, como “J’en deduis que je t’aime”. Neste tempo em que a língua francesa perdeu em todos os campos, as canções de Aznavour mantêm (mesmo com a poeira do tempo, e o inglês, pairando sobre tudo) o seu brilho intenso – e o gosto por uma pronúncia elegante e bem soletrada (os outros eram os de Bécaud e de Regianni). O francês de Aznavour transporta essa nostalgia sem disfarce: é belíssimo de cantar e belíssimo de ouvir (como em ‘Plus bleu que tes yeux”, uma valsa eterna), fala do palco e da rua, apetece dançar e repetir sempre – e sim, fiquei triste, porque sei que Charles Aznavour era único.

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