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António Lobo Antunes. Por extenso.

por FJV, em 30.11.18

O mundo das letras & das artes incomoda-se muito; frequentemente escandaliza-se – mas discute pouco. Gosta de unanimidades e de verdades banais, daquelas que põem toda a gente de acordo. Quem diz das letras, diz das artes. Em Guadalajara, no México, António Lobo Antunes contrariou mais uma vez essa unanimidade de tons cinzentos; eu admiro-o por isso, mesmo que não concorde com ele. Diz coisas incómodas, inesperadas, que deixam as audiências em suspenso. As autoridades esperam um escritor que seja escritor, de casaca e comenda, e que não incomode muito – Lobo Antunes é como os personagens dos seus livros: nunca fazem o que está no guião (lembro-me sempre de O Manual dos Inquisidores, um dos seus romances mais perfeitos), enternece-se em público, os olhos brilham, ninguém sabe o que vai dizer a seguir. É esse o seu enorme talento. Chegou ao ponto ideal: não deve favores. Dizem que tem “um temperamento difícil” e há histórias sobre o seu mau feitio. Que pena, quererem um funcionário das letras, estimado e respeitador, e lhes sair um Lobo Antunes. 

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