Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Solitária, discreta, procurando um anonimato difícil (ainda mais para quem, até 2002, escrevia quase um livro por ano), voz suave, celibatária – Anita Brookner (1928-2016) morreu aos 87 anos, a 10 de Março, embora a notícia só tivesse sido dada quatro dias depois, anteontem à noite. São muitos os seus livros publicados em Portugal, mas a coroa de glória é Hotel du Lac (Bertrand), o seu quarto romance, que em 1984 arrebatou o Booker Prize, batendo O Império do Sol, de J.G. Ballard, O Papagaio de Flaubert, de Julian Barnes, ou O Pequeno Mundo, de David Lodge. Antes tinha publicado um romance de nota, Olhem para Mim – mas a história de Hotel du Lac é pura reinvenção do espírito romântico, observação, nostalgia, vidas que se procuram num pequeno hotel perto de Genebra onde se hospeda a protagonista, Edith Hope, uma escritora. Até ao fim da sua vida literária, em 25 romances, Anita Brookner (filha de judeus polacos e historiadora de arte) replicou a vida igualmente discreta de personagens que um dia viram a felicidade e a perderam. Esse mundo delicado, da classe média, nunca mais existiu senão nos seus livros.
A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.