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A senhora condessa de Gouvarinho está à porta em trajes menores.

por FJV, em 11.09.18

Não sei se vale a pena criar um drama por causa de Os Maias, que passará a ser opcional no Secundário. Que os alunos leiam um romance de Eça é bom, desde que o façam mesmo. Grave é, no programa do 11.º, serem obrigados a ler o penoso Frei Luís de Sousa mas só opcionalmente um romance de Camilo (ou Garrett), ou estarem ausentes poetas do renascimento exceto Camões, do barroco ou do romantismo. O problema é que Os Maias, tal como Amor de Perdição, a lírica de Camões, o Bocage romântico, Cesário, Aparição, entre outros, são elementos comuns a um conhecimento intergeracional da nossa cultura – o cânone, que hoje é odiado por uma multidão de ressentidos modernos. O romance de Eça está ao nível do monumento; dispensá-lo é como deixar de lado a complexidade dos Jerónimos ou da charola de Tomar. O ensino da literatura não pode estar desligado da passagem do tempo e do conhecimento da nossa história – e não pode ser usado apenas para estudar gramática e interpretar textos. Mas, como de costume, desde que haja um bom professor, um aluno está salvo. É a nossa esperança.

 

Atualização: as auctoridades voltaram atrás; vá lá.

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