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A Netflix antes do Quixote.

por FJV, em 10.07.18

Lê-se hoje menos ficção; parece que parte da responsabilidade se deve à televisão e às séries da Netflix, o que me parece argumento de peso e substância. Quando Miguel de Cervantes quis publicar o Quixote, dirigiu-se a Francisco de Robles, livreiro de Madrid com olho para o negócio e desejoso de repetir o sucesso de romances best-sellers da época. Em 1605, saiu a primeira parte do Quixote (1500 exemplares esgotados em três meses, além de uma edição pirata em Lisboa, note-se). A segunda edição saiu em abril desse ano, mas era preciso continuar a escrever as aventuras do amalucado cavaleiro da Mancha. Como Cervantes preguiçasse ou andasse distraído, apareceu em 1614 uma falsa segunda parte do Quixote, mas assinada por Alonso de Avellaneda, nome também falso – vendeu-se muito bem, parece, com várias reimpressões. Cervantes tratou então de apressar a parte em falta do verdadeiro e glorioso Quixote, o que aconteceu um ano depois, o autor fatalmente doente (morreu em 1616). Foi um insucesso. Os leitores já tinham devorado a versão falsa. De Avellaneda. Da Netflix, queria eu dizer.

[Da coluna no CM] 

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