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A meia estação.

por FJV, em 11.10.18

Ontem, enquanto amanhecia, uma menina da rádio advertia para “a chegada do mau tempo” – prevista para hoje, leitores. Por instantes pensei que me tinha escapado a chegada anunciada de um furacão; mas não: era a promessa de alguma chuva, aguaceiros aqui e ali, céu nublado, um ventinho de sul, temperaturas noturnas a descer. Na verdade, apetece a chuva: para limpar as cidades (que bem precisam), molhar os campos e as florestas, humedecer a atmosfera, misturar-se à água dos rios. – mas, infelizmente, será por pouco tempo. Antigamente, caso não saibam, existia uma coisa hoje cada vez mais rara, que dava pelo nome de Outono (em maiúscula hoje), de braço dado com outro nome – o da “meia estação”. Ou seja, não era uma estação quente, não vinha coroada daquele frio de janeiro, mas obrigava a “vestir moderadamente”, olhando para o céu em busca de sinais para o resto do dia. Esse equilíbrio desapareceu. Provavelmente, a minha geração foi a última a poder apreciar os benefícios da “meia estação”: nem quente, nem frio, apenas um tempo bom para contemplar a passagem da natureza.

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