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A invasão de Alcochete – o despertar dos moralistas.

por FJV, em 17.05.18

Sobre Alcochete, devo dizer que gosto muito de gente escandalizada. Sobretudo dos que se acocoraram a pregar sobre o mal que o futebol faz à sociedade em geral, sem falar das vestais que, de beicinho, apareceram a pedir a proibição disto e daquilo, como costuma acontecer sempre que têm rédea solta. Esta generosa abundância de moralistas e de energúmenos é coisa muito comum entre nós (acontece que foi essa abundância que elegeu um presidente do Sporting), e costuma substituir o que, em tempos de penúria, chamamos “a normalidade”. Ora, em “normalidade” (não a nossa, entenda-se) os tribunais já tinham julgado e punido o que havia a julgar e a punir; e este vago ambiente de criminalidade organizada já teria sido despenteado há muito, como merece. É isso que é necessário fazer, em vez de criar mais “autoridades” e dar voz aos moralistas ou ser compreensivo para com os energúmenos. Eu bem que vos entendo, moralistas do meu país; gostais de vos escutar e de serdes aplaudidos. Mas o tempo é de chamar a polícia e de cuidar dos energúmenos; a seguir, vós, que já cá tenho munição. 

 

Esta é a crónica desta quinta-feira no CM. Infelizmente, durante dois ou três anos, as auctoridades foram avisadas, alertadas, esclarecidas sobre o mal que andava à solta no futebol, e o resultado foi sempre o mesmo: lá estavam elas, as auctoridades, muito aprumadas, ao pé dos presidentes, pedinchando bilhetes e comparecendo nos momentos solenes. No universo do provincianismo português, todos gostam muito de ser bem tratados pelos senhores presidentes, de mostrar que são convidados para a tribuna e de fazer gala de andarem de braço dado com gente suspeita. Porque se trata, mesmo, de gente suspeita que gosta de meter políticos no bolso do casaco; o poder de que dispõem é excessivo e amoral. De resto, causa impressão como tanta gente amável e apreciável cedeu e comprometeu parte da sua dignidade apoiando um tipo de quem se envergonhariam mais tarde ou mais cedo. 

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