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A Cidade e as Serras, o regresso.

por FJV, em 05.02.16

A idade, o infortúnio, o desaparecimento dos que nos são queridos, o desejo de conforto e de sabedoria, a serenidade – Harold Bloom diz que são alguns dos motivos que explicam o nosso prazer em ler e reler os clássicos (no seu caso, Shakespeare acima de qualquer outro). No meu caso, Camilo Castelo Branco, Eça de Queiroz, Cesário Verde, a lista alarga-se aqui e ali, mas entesoura livros que nunca me abandonaram.  A editora Guerra e Paz tem vindo a publicar alguns deles (Eça e Camilo, Os Maias e O Que Fazem Mulheres) em volumes modernos e com a nossa grafia, com revisão de Hélder Guégués. Agora, é a vez de A Cidade e as Serras, o romance da serenidade de Eça, elegia do seu século, confronto com a “civilização” e a sua infelicidade. Nunca me canso de reler a passagem da chegada a Tormes de Jacinto e de Zé Fernandes, um prodígio de melancolia e de riso, nem de recordar o palacete burlesco dos Campos Elísios ou a ligeira conversão de Eça à alegria da natureza. O livro foi publicado há 115 anos, um ano depois da morte do autor. É um monumento que sobreviveu ao tempo que devora tudo, exceto a eternidade.

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