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MagalhãesIntel.

por FJV, em 31.07.08

A propósito do novo computador Magalhães, ler o texto de Pedro Sales -- e esperar que a imprensa deixe de reproduzir press releases e possa esclarecer a novidade.

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Renováveis.

por FJV, em 24.07.08

Eu não me importo de pagar 35 euros por ano para financiar estudos e projectos sobre energias renováveis. Na verdade, devemos preparar-nos para substituir o petróleo e o nosso endividamento às más companhias que o comercializam e produzem, bem como insistir na «questão ambiental». É um dever de todos. Mas não quero duas coisas: nem subsidiar essas energias no seu conjunto e por período indeterminado nem favorecer, fora das regras do mercado, esta ou aquela empresa. Além disso não quero que me façam pagar esses 35 euros de forma sacana, às escondidas. Prefiro que me perguntem: queres pagar 2,91 euros por mês aplicáveis no desenvolvimento de energias renováveis? E eu respondo: sim. Mas às claras. Assim, como está (veja-se o CM de ontem), acho que é uma malandrice.

 

[Da coluna do Correio da Manhã.]

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Política de emergência

por FJV, em 21.07.08

O retrato do primeiro-ministro é o de um gestor em dificuldades, e é pena. Enquanto deixa aos outros – medíocres – a tarefa de fazer política, ele anda de malas aos tombos, a fazer negócios aqui e ali, em Angola e na Líbia, onde estão mercados ao nosso alcance. A política está pobre e ele aproveita para captar fundos. Longe do PS doméstico, uma espécie de rumor distante e cacofónico, Sócrates distribui elogios a Eduardo dos Santos e a Khadafi, como se isso não tivesse importância. Não deve ter, porque daqui a nada vem Hugo Chávez e os dois darão um forte abraço em nome dos negócios e do petróleo. Portugal transforma-se num cenário atípico da política de emergência, flutuando e vendendo ao melhor preço. Não é isso que ela, a política, tem sido nos últimos tempos?

[Da coluna do Correio da Manhã.]

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À atenção dos apreciadores de estatísticas. Uma pequena vergonha nacional.

por FJV, em 20.06.08

Ou muito me engano ou, no próximo ano, os hierofantes do Ministério da Educação (aqueles que acham que os professores de Matemática percebem de Matemática mas não percebem de «avaliação» -- uma declaração que deveria forçar a comissão de educação do Parlamento a chamá-los para esclarecer o assunto) dirão que houve uma substancial melhoria da estatísticas e que o homem novo está a caminho com uma taxa de sucesso a festejar. Basta ver a manigância a que eles (os que percebem de «avaliação») se dedicaram. Se não fosse trágico para o sistema de ensino, contaríamos mais uma anedota sobre o assunto.

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Os coitados dos investigadores e os malvados de Guimarães que ameaçam fazer jurisprudência.

por FJV, em 14.06.08

Tomem nota desta notícia e vejam como se pressiona a opinião pública:

 

«o caso de Guimarães é uma ameaça...»

«...a partir do momento em que a defesa dos arguidos tem acesso aos processos...»

«...é a própria investigação à criminalidade económica que fica em causa...»

«Cândida Almeida gostaria que o procurador-geral da República permitisse que a opinião pública pudesse ver a quantidade de material que os investigadores já recolhera...»

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Ceder não é mau. Mas quem vai pagar?

por FJV, em 12.06.08

O governo cedeu aos camionistas e ao ‘sector dos transportes’. Também está lá para isso, mas convém que os cidadãos (eu, o leitor) façam contas e se detenham na análise do tratado de acordo. Em primeiro lugar, o governo negociou em nome das concessionárias de auto-estradas, o que significa que vamos pagar-lhes. Nós. Depois, o governo indicou um benefício fiscal de 20% para as despesas de combustível. Significa que vamos pagar. Nós. O que é estranho porque os preços dos transportes estarão indexados aos combustíveis. Finalmente, coroa de glória, os clientes dos transportes vão passar a ter que pagar num máximo de 30 dias – coisa que o governo e o Estado não fazem. Vamos pagar. Nós. Assim, também eu negociava e não me importava de ceder – com o dinheiro dos outros. Nosso.

[Da coluna do Correio da Manhã.]

 

E voltamos à história das portagens

E Notícias do Bloqueio.

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Metro.

por FJV, em 12.06.08

Derrapagem financeira superior a 31 milhões de euros. Financeira, note-se bem. Quanto à derrapagem política, enfim.

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Notícias do bloqueio.

por FJV, em 12.06.08

Os protestos dos camionistas ou do ‘movimento paralisação’ são coisa branda e melíflua. Se quisessem paralisar o país, vinham para a porta das cidades e impunham um cerco decisivo às classes médias – assim, basta-lhes reeditar a ideia dos ‘piquetes’ e penalizar o abastecimento a quem tem de ir ao supermercado ou à bomba de gasolina, gente remediada. É uma hipocrisia, um protesto quase invisível e em lume brando. Eles sabem que, desta maneira, Sócrates não lhes manda a polícia – mas reconhecem que estão "a causar problemas ao país". A questão é que muitos dos socialistas que hoje frequentam as salas do poder estiveram na Ponte 25 de Abril a apoiar o bloqueio de 1995, colaborando com a revolta dos camiões e o cerco a Lisboa. Se lhes apetece usar a lei, o passado impede-os.

[Da coluna do Correio da Manhã.]

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Hipótese.

por FJV, em 02.06.08

 

O pormenor não é de menosprezar: Manuela Ferreira Leite é a primeira mulher líder de um grande partido em Portugal. Não garantiu o lugar recorrendo à figura das “quotas para mulheres”, que o governo transformou em lei mas não cumpre. Acho que isso irá contribuir para algumas mudanças qualitativas na forma de fazer política nos próximos tempos, sem diminuir o tom e a intensidade. Para quem se recorda das picardias e das piadas “entre homens da política”, o “factor Manuela” é capaz de ajudar a mudar as coisas – e para melhor. Não por trazer um “ar maternal”, que é o modo machista de abordar a chegada das mulheres à política, mas por ser provável que MFL dê atenção aos temas centrais da vida portuguesa com outra sensibilidade e mais atenção. Só isso já é um avanço notável.

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Segunda nota.

por FJV, em 01.06.08

Isto é uma natureza morta.

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Primeira nota.

por FJV, em 01.06.08

Antes de outras observações, o seguinte: Manuela Ferreira Leite é a primeira mulher líder de um partido político com expressão parlamentar em Portugal. Sem quotas.

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Choraminguice.

por FJV, em 30.05.08

«Quando fui votar no boletim de voto não estava lá o nome do Pedro Santana Lopes (...) Se lá estivesse o nome de Santana Lopes não votava. Só que no boletim estava PSD. E eu sempre votei PSD», disse Manuela Ferreira Leite. Fez bem Manuela Ferreira Leite e, se eu fosse militante do PSD, votaria nela por afrontar a choraminguice de Santana Lopes.

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Bafio e mofo. Parecem nomes de sopranos italianas.

por FJV, em 29.05.08

Se não fosse para ficarmos preocupados, podíamos rir com gosto: Ângelo Correia anunciou que a candidatura de Passos Coelho à chefia do PSD é uma “janela aberta”, que há-de afastar o “mofo” e o “bafio” – e deixar entrar “uma lufada de ar fresco”. É uma declaração e tanto mas, vindo de Ângelo Correia, tanto desejo de ventania dá vontade de rir, o que é uma pena. É como se António Calvário aparecesse a defender a renovação da música portuguesa. Depois da honrosa e notável entrevista de Passos Coelho ao CM, que indiciava uma respiração diferente no partido, o candidato teve o cuidado de receber alguns apoios fatais que podem garantir votos da máquina partidária mas que hão-de aprisioná-lo por largo tempo ao “mofo” e ao “bafio”, enquanto apresentam a conta.  É a vida.

[Da coluna do Correio da Manhã.]

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O voto de protesto.

por FJV, em 29.05.08

Houve anteontem muito burburinho sobre mais um artigo do Dr. Soares acerca da catástrofe que aí vem – e que só acontece porque não o ouviram em devido tempo, como de costume. Tal foi o burburinho que o PS teve de vir a terreiro dizer que os discípulos tinham essas mesmas preocupações do mestre, e que nem era preciso ele avisar – já sabiam as notícias. Soares diz que o voto de protesto (que irá parar ao PCP e ao BE, e mesmo ao PSD, que fala do social) faz falta ao PS nas eleições. Assim compreende-se a reacção do PS. Se o voto de protesto contra o governo dá votos, o partido fará campanha a bradar contra o Código de Trabalho, o esmagamento da classe média, as desigualdades sociais e a reforma da Saúde. Ou seja: estará nos dois lados das barricadas, de braço dado com o inimigo.

[Da coluna do Correio da Manhã.]

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Sondagem

por FJV, em 19.05.08

A sondagem do CM sobre as eleições internas do PSD confirma a ideia de que há uma diferença estrutural entre os militantes do partido – enquadrados pelos líderes, caciques e tiranetes locais – e o eleitorado do PSD. Nem era preciso mostrar a sondagem. Para quem está de fora, são dois mundos de qualidade diferente e, às vezes, abissal. Há uma base de apoio eleitoral ao PSD (marcada pela pobre classe média portuguesa) que não tem equivalente no interior do partido, entregue ao poder de quem maneja as claques e conhece as manigâncias das concelhias e dos seus interesses imediatos. Esse poder tem pouca qualidade e quase nenhuma credibilidade no eleitorado – além de não ter aprendido nada com a humilhação que o eleitorado deu a Santana Lopes em 2005.
[Da coluna do Correio da Manhã.]

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Moral.

por FJV, em 17.05.08

Quando se abordam questões relacionadas com o tabaco, entramos num domínio claramente irracional, comparável ao do futebol. Por um lado, é um método para os blogs subirem audiências; por outro, sobretudo naqueles que têm comentários abertos, é uma oportunidade de abrir debates e de receber vários insultos. Três notas apenas, independentemente do que escrevi antes:

1) O Francisco Mendes da Silva localizou a questão da moral; ou seja, mudou-a de lugar, e fez bem. Eu tinha chamado moralista à notícia do Público; o FMS acha que a questão moral se deve colocar no âmbito da moralidade política básica: para que «nos perguntemos se a lei que com tanta gravidade nos impuseram é verdadeiramente para ser aplicada ou se não passará, afinal, de uma proposta de vida do tipo religioso e, portanto, de letra-morta jurídica». Ou seja, se bem entendi: se se trata de uma lei, é uma prescrição para levar à letra e não para eleger apenas como princípio orientador, sujeito ao livre-arbítrio. Resposta: é uma lei assinada por José Sócrates.

2) O ressentimento seria natural. Se Sócrates assinou a lei, se a Direcção de Saúde evangelizou com espalhafato, e se a larga maioria da sociedade («sociedade» é um termo difuso, sim) apoiou a lei, então é preciso fazer com que Sócrates pague: a multa, em primeiro lugar; politicamente, em segundo lugar. É uma vingança que qualquer fumador exige em nome da coerência. E, no entanto, é de ressentimento que se trata. Ou de como um cigarro abalou a cena política e lançou ainda mais desconfiança sobre os políticos e os jornalistas, uma vez que se podia geralmente fumar nas três ou quatro últimas filas dos aviões das comitivas oficiais. O grau de ressentimento é maior porque a notícia, que podia ser dada há oito anos, quando creio que se deixou de fumar a bordo da TAP, só foi dada agora.

3. O pior de tudo: a declaração de José Sócrates, aceitando a punição e dando um passo em frente. Ninguém lhe tinha pedido para deixar de fumar. Mas, depois de um «mau exemplo» (do ponto de vista da moral), o «bom exemplo», porque vai «deixar de fumar». Mais uma vez, a moral. Não há paciência.

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Ele mesmo.

por FJV, em 15.05.08

Pedro: bastava andar pelo país fora -- e não nas redacções dos jornais -- para perceber que Santana perdeu as eleições por ele próprio.

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Separar as águas.

por FJV, em 14.05.08

E não, não estou nada de acordo contigo, Pedro. Primeiro: duvido que Santana Lopes perdesse eleições contra Ferro Rodrigues caso o presidente Sampaio, como devia, as tivesse convocado logo na altura, em vez de poupar o PS; o eleitorado ainda não conhecia Santana. Segundo: o que foi penalizado nas eleições de 2005 foi sobretudo o comportamento de Santana Lopes durante o período em que esteve de primeiro-ministro e a sua campanha medíocre e cheia de gripe, com episódios tristes, como o dos «colos». Terceiro: a máquina de produzir reformas & ideias, acelerada por Santana Lopes, era perigosa, como se comprovou com os conselhos que LPM deu a Sócrates, e bem: caladinho, poucas propostas, ordem nas ruas e aulas a horas, tudo isso (lê a entrevista de Luís Paixão Martins na época; de mestre). Quarto: finalmente, Sócrates ganhou contra o discurso esquizofrénico das reformas, do drama e da tragédia que aí vinha.

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Pepêdê, pêéssedê.

por FJV, em 14.05.08

Santana Lopes terá, até ao fim da vida, um problema com o PSD: nunca há-de acertar-lhe com o nome. Nem decidir se se trata do PPD ou do PPD/PSD, coisas que já não existem. A sua ideia de que Manuela Ferreira Leite devia abandonar a corrida à liderança do partido por não confirmar se votou nele em 2005, é mais do que peregrina – é genial. Mas, como quase sempre, Santana engana-se no alvo e no pretexto: ainda não descobriu por que razão o PSD teve tão poucos votos naquelas eleições, sendo ele um génio e um grande talento. Ninguém ignora que Santana vai agora a votos por puro ressentimento: contra Sampaio, que o demitiu; contra os militantes do PSD que não o aplaudiram (como Cavaco); e contra os eleitores, que lhe fizeram um manguito. Se for por isso, é uma batalha perdida.

[Da coluna do Correio da Manhã.]

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O purista Santana.

por FJV, em 12.05.08

Parece que Pedro Santana Lopes pediu que Manuela Ferreira Leite desistisse da sua candidatura por «ter dado a entender» que não teria votado no PSD em 2005. Na altura, quando Manuela Ferreira Leite deu a resposta que deu ao JN («Obviamente que não lhe respondo...») vários comentadores sugeriram que MFL devia desistir, entre outras manifestações de heroísmo. Santana Lopes aporoveitou a boleia para a sua campanha porque vive essencialmente de boleias e desse pobre espectáculo de «fidelidade ao PPD/PSD», que é um partido que só há lá em casa.

Noto que Paulo Gorjão, no Cachimbo de Magritte já tinha estendido a escada: «Não responder é dizer a verdade?» Ora, Paulo: discutindo-se Santana Lopes, a verdade tem alguma importância? Querias que MFL dissesse que tinha votado PSD ou que não tinha votado em Santana Lopes? Que resposta, digamos, terias achado mais a preceito? Eu sei que o que está em jogo é a verdade que Passos Coelho e MFL prometeram dizer. Mas, mesmo assim, gostaria de saber...

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Reler.

por FJV, em 05.05.08

A entrevista de Pedro Passos Coelho a António Ribeiro Ferreira, no CM de ontem, é um marco na história do PSD e é natural que suscite entusiasmo. Não sei onde andou Passos Coelho até agora mas, se esteve a estudar a lição, foi tempo bem empregue. Reconhece-se a sua filiação ideológica, mas percebe-se que o PSD das suas facções tradicionais não tem ali lugar. Também não se sabe até que ponto os militantes do partido, os que têm direito a voto, estão despertos para esse tipo de discurso e de ideias. É provável que a partir de agora ele venha a ser visto como o candidato com ideias mais modernas e dê voz ao eleitorado flutuante do PSD (a classe média das cidades) mais do que às concelhias – que têm sido um factor de atraso estrutural do partido. Se isso basta para ganhar as directas, não se sabe. Mas depois de ter dito o que disse está aberta a porta para a reforma antecipada dos dinossauros, de Santana a Jardim, passando por Menezes e pelo hemiciclo laranja de hoje.

[Da coluna do Correio da Manhã.]

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Boa nota, mas isso é dizer pouco.

por FJV, em 04.05.08
Não sei onde ele aprendeu a lição, mas a entrevista de Pedro Passos Coelho ao CM é um marco na história do PSD. Começo a desconfiar.

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Sondagens & afins.

por FJV, em 01.05.08
O Expresso do próximo sábado publica uma sondagem (Expresso/SIC/RR) cujos dados fundamentais são aqui transcritos. As sondagens são de grande utilidade para o estado-maior dos partidos mas comove-me bastante ver que parte da blogosfera gostaria de estar lá, bem dentro, para viver as sondagens de mais perto. Por exemplo: se Luís Filipe Menezes sobe (ena, está «próximo dos 4%» positivos, que feito!), então é preciso estar atento, porque talvez ele tivesse razão; se Cavaco desce, é porque fez asneira; se Sócrates sobe (umas décimas, que comoção), é porque sabe da poda. Muitos blogoanalistas acham graça à matemática imprecisa e às indicações das sondagens. Mas, sinceramente, o que tem graça é desobedecer-lhe. A ditadura da opinião pública é o novo divertimento dos blogoanalistas.

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E a minha política é o trabalho.

por FJV, em 29.04.08
O fundador do Movimento Mérito e Sociedade diz que não se revê «nas orientações políticas nem da Esquerda nem da Direita». Pedro Passos Coelho diz que «não [é] de direita nem de esquerda». 

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O discurso é de graça.

por FJV, em 29.04.08

Os liberais que desembarcaram na Praia dos Ladrões, na Areosa do Pampelido (ficaram para a história como os bravos do Mindelo), vinham dos Açores para libertar Portugal. Nas páginas da historiografia liberal, as ilhas permaneceram como uma espécie de reduto heróico de onde viria a redenção em momentos de crise. Depois da guerra civil e da ida de D. Miguel para o exílio, também os absolutistas encararam a hipótese de formar um exército para invadir o país a partir das ilhas; a dúvida é se o quartel-general seria nos Açores ou na Madeira. Para Alberto João Jardim não há lugar a dúvidas: é da Madeira que deve partir o exército para lutar contra a “candidatura do regime” de Manuela Ferreira Leite. Para o efeito, como acontecia a cada passo com os generais, os príncipes proscritos e até os sargentos de milícias, o líder madeirense já dirigiu uma exortação “às bases do partido e aos dirigentes patriotas”. É certo que ainda lhe falta o exército, mas o discurso é de graça.

[Da coluna do Correio da Manhã.]

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Moscavide e o calor.

por FJV, em 29.04.08
Parece que, em Moscavide, aconteceu o absurdo: um homem de 20 anos dirige-se à esquadra da polícia para queixar-se de uma agressão de que fora vítima. Uma pessoa espera sentir-se a salvo dentro de uma esquadra. Não foi o caso – os agressores entraram na esquadra e completaram o serviço com mais pancada à discrição. A ser verdade que isto aconteceu às portas de Lisboa, trata-se de uma bela encenação que merece uma explicação do ministro da Administração. Escrevo «a ser verdade» porque não me parece crível que dentro da esquadra estivesse apenas um agente, um solitário agente da polícia, incapaz de repelir o assalto de um bando de energúmenos. O comando da PSP de Lisboa explica que havia muitas pessoas na rua e que as temperaturas estavam elevadas – de modo que ficou apenas um agente na esquadra. É uma explicação confortável e aceitável. Quando chegar o Verão e houver ainda mais gente nas ruas de Moscavide, a esquadra vai ser entregue a um grupo de baile. Está na cara.
[Da coluna do Correio da Manhã.]

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Punk marketing. O regresso do rongorongo.

por FJV, em 24.04.08
«O Santanismo é uma espécie de Sebastianismo pós-moderno. Com a diferença de que no primeiro o "desejado" é apenas desejado por ele mesmo.»
{Hidden Perusader, no Bicho-Carpinteiro}

«A candidatura de Santana Lopes parece apenas um ajuste de contas com o passado. Um ajuste de contas motivado pela vontade de se vingar finalmente de quem julga ter começado por minar a sua ascensão a primeiro-ministro.»
{Paulo Pinto Mascarenhas, no Blogue Atlântico}

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Punk marketing. Suplemento.

por FJV, em 24.04.08
Depuralina autorizada a voltar ao mercado: Santana Lopes anuncia candidatura à liderança do partido.

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É a vida.

por FJV, em 24.04.08

Bagão Félix tem razão; ele queixava-se das leis laborais agora propostas pelo governo, que seguem a par e passo aquilo que o próprio Bagão Félix definiu quando estava no governo de direita. No mínimo, trata-se de um plágio; no máximo, estamos diante de uma traição. Na época, o PS (com o actual ministro à frente) fez ruído e, com o PCP e o BE, prometeu a revolução social, protestos na ruas e imolações nos sindicatos, com toda a esquerda à volta. Hoje, no governo, o PS não só não apagou a herança de Bagão, como até ‘dramatizou’ certos artigos da lei dos despedimentos. Ninguém de bom-senso vem para a rua queixar-se de o PS ‘não ser socialista’. A tentação socialista do PS, actualmente, é apenas 'fracturante & moderna', reduz-se ao aborto, à lei do divórcio, à ideia de que o povo é bom, e a pouco mais. António Costa dizia há uma semana que defender ideias de esquerda é bom quando se está na rua, mas muito aborrecido quando se chega ao poder. De facto, é a vida.

[Da coluna do Correio da Manhã.]

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Descida aos infernos.

por FJV, em 24.04.08
Enquanto o país segue em frente, o PSD dilui-se numa pequena série de ‘bluffs’ para nos alegrar a semana. Neto da Silva e Patinha Antão? Conhece-os? Alberto João Jardim, conhece-o?  Uns por não serem conhecidos, outros por o serem demais, não dão para candidatos a não ser neste “teatro cómico” em que se transformou o partido. Ontem, os chefes do PSD do Porto e de Lisboa puseram A.J. Jardim na lista de hipóteses para a chefia do partido, lançando o isco às bases. Não vale a pena lembrar que arrebatar votos na Camacha ou em Porto Moniz não é a mesma coisa que ir buscá-los a Almada ou a Ermesinde. Começa a ser preocupante o suicídio desta gente, que se prepara para – se pudesse – destruir o PSD e transformá-lo num saco de gatos ou numa ninharia irrelevante, preparada para um cowboy vir tomá-la ao cair do pano. Infelizmente, o bom-senso não se mete nos neurónios destes cavalheiros. Às vezes é preciso descer aos infernos para regressar renovado; mas descer até este ponto?
[Da coluna do Correio da Manhã.]

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