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A crise.

por FJV, em 17.09.08

Grande parte da «crise actual do capitalismo» ainda não está a ser sentida pelo cidadão comum, para quem as designações de Merrill Lynch ou Lehman Brothers ou Freddie Mac vêm de um universo que apenas se conhece através da imprensa económica. Mas é esse 'cidadão comum' (eu, o leitor, o seu vizinho) que há-de pagar as favas depois de perceber como se devolve a 'teoria do dominó'. Por um lado, os acontecimentos minam a confiança no sistema financeiro; por outro, mostram que não é possível prolongar artificialmente a existência das corporações (como Merrill Lynch ou Lehman) que se portaram mal ou arriscaram em demasia; não há como evitar-lhes a falência. As leis da vida são cruéis, e convém um mínimo de sensatez na gestão das nossas economias. É essa a lição a retirar, como sempre.

Da coluna do Correio da Manhã.]

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O fim que as coisas levam.

por FJV, em 16.09.08

Ninguém se tem queixado tanto da direita como a própria direita, a avaliar pelo relativo desconcerto que varre o PSD e o CDS. Em cada um dos partidos há demasiada gente a querer coisas demasiado diferentes e, em alguns casos, contraditórias – o que nos lembra que nada é eterno, tanto na vida como nos partidos políticos. Ao fim de trinta e cinco anos de existência, nada obriga (salvo a lealdade aos “interesses” e à lista de militantes) pessoas adultas e alegadamente responsáveis a estar num partido que gostariam que fosse totalmente diferente. Para evitar que esses dois grupos continuem a devorar líderes insatisfeitos e a produzir militantes ressentidos ou apenas zangados, não é absurdo que se pense, finalmente, em criar outros partidos. Ficava tudo esclarecido. Ou então não.

[Da coluna do Correio da Manhã.]

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Viagens na minha terra sustentável.

por FJV, em 11.09.08

 

Graças à Agência Lusa, fiquei a saber que Vila Nova de Foz Côa vai este ano aderir ao Dia Europeu sem Carros, no sentido de “uma política mais sustentável de transportes”. O leitor não sabe, mas a notícia comove-me – nasci lá e sofri, como todos os seus naturais, para ter uma rede de transportes, sustentável ou não. Ainda há menos de 30 anos, familiares meus deslocavam-se dezenas de quilómetros a pé para tratarem das suas vidas e não havia “transportes sustentáveis”. A minha aldeia (o Pocinho) tinha comboio, que era “sustentável”; agora, o comboio vai desaparecer. Muita gente naquelas paragens, antes de se falar de “mobilidade sustentável”, sabia muito do assunto – simplesmente, há vinte anos, não tinha transporte. Eis como Portugal se transforma – pelo topo. Pelas palavras.

[Da coluna do Correio da Manhã.]

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Calores.

por FJV, em 11.09.08

 

O ministro Rui Pereira é uma figura simpática mas, ao que parece, ligeiramente desastrada. Falando sobre o caso do homem baleado anteontem, na esquadra de Portimão, o ministro comparou-o com o da execução de Lee Harvey Oswald (o assassino de J.F.K.) nas barbas do FBI e da polícia, numa esquadra de Dallas. O ministro merece que alguém o esclareça sobre o episódio – ou lhe explique que não são coisas comparáveis. Evidentemente que ninguém previa os tiros de Portimão, e ninguém culpa a polícia. Mas a evocação de J.F.K. e dos tiros que Jack Ruby disparou sobre Oswald pode transformar a tragédia, perigosa, num folhetim do anedotário nacional. Ou o ministro anda a ver filmes de mais ou, então, é um caso de stress pós-traumático, resultado da onda de crimes de Agosto. É do calor.

[Da coluna do Correio da Manhã.]

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Estatísticas.

por FJV, em 11.09.08

 

O primeiro-ministro assegura que a melhoria de resultados nas pautas do ensino básico e do ensino secundário se devem às políticas educativas e aos investimentos realizados pelo seu governo. Lamento desmentir esse contentamento e tão largo optimismo mas a verdade é que tanto eu como o primeiro-ministro sabemos que as políticas educativas não produzem resultados de um ano para o outro; tal como ambos sabemos que os investimentos em educação levam anos a ter algum resultado e que isso não significa mais dinheiro. Portanto, é preciso outra explicação. Eu dou-a de graça: a melhoria de resultados existe porque os dados foram propositada e antecipadamente falsificados por provas demasiado fáceis, realizadas com o propósito de conseguir estas belas estatísticas. Ambos o sabemos. Todos o sabemos.

[Da coluna do Correio da Manhã.]

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Violência doméstica.

por FJV, em 02.09.08

Ontem, os jornais noticiavam que os partidos estavam de acordo com a prisão preventiva em caso de violência doméstica. Na verdade, de entre os crimes contra as pessoas, a violência doméstica é o mais abjecto – sobretudo a que é dirigida contra velhos e crianças, que não podem defender-se nem têm voz. Mas a preocupação central é com a relação entre maridos e mulheres. Fico sensibilizado mas acho que o importante é mostrar que os maridos e as mulheres podem lutar pela sua dignidade sem que os políticos enobreçam o estatuto da vítima. Um estudo da Universidade do Minho diz que 25% dos jovens entre os 15 e os 25 anos já foram vítimas de violência numa relação amorosa. Sovas, murros, pontapés e sexo forçado começam na adolescência. Os políticos que tenham cuidado e estudem.

[Da coluna do Correio da Manhã.]

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Desconfiar.

por FJV, em 02.09.08

Somos controlados pela Via Verde, pelo Cartão Único, pelo trajecto dos cartões de crédito, pelos cartões magnéticos dos hotéis, pelo acesso às nossas contas e impostos, pelos registos nas cartas de condução, pelas fichas clínicas (que não são sigilosas), pela ficha de cliente de uma loja – e agora também pelo chip electrónico na matrícula dos automóveis. A nossa vida está na mão de pessoas que não conhecemos mas que nos conhecem bem e que se escondem nos arquivos do Estado. Não é uma invenção da China, do Dr. Salazar ou da velha URSS – é um sistema de vigilância criado pelas ‘democracias liberais’. Há quem argumente que ‘quem não deve, não teme’, lema dos pobres de espírito para quem a vida não vale nada. Entrámos na era da desconfiança. Também nós devemos desconfiar.

[Da coluna do Correio da Manhã.]

 

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Turismo, o destino.

por FJV, em 27.08.08

 

A Câmara de Pedrógão Grande vai transformar dez escolas do ensino básico, desactivadas por falta de alunos, em alojamento para turismo rural (excepto uma que vai para sede da Filarmónica). É uma boa opção, muito louvável. Há mais escolas à espera pelo país fora – e, como são das antigas, a construção é boa e sólida (as escolas da democracia são caixotes apodrecidos, feios e sujos). Portugal encontra finalmente um sentido para o seu destino: transformar-se em entreposto turístico. Veja-se o ministro da economia, que recebe estrelas como Deneuve ou Phelps para conseguir uma promoçãozinha do país na imprensa internacional, na esperança de isso trazer mais turistas. Talvez eles venham e comprem mais escolas abandonadas, que finalmente terão alguma utilidade para a pátria.

[Da coluna do Correio da Manhã.]

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Medalhas.

por FJV, em 26.08.08

Marco Fortes (com quem fiquei a simpatizar) foi recambiado para Lisboa, como bode expiatório, e a honra do comandante Vicente de Moura estava salva porque ia retirar-se e o campeonato de futebol estava aí. Mas Nelson Évora ganhou a medalha e estragou tudo: o comandante já admite que pode ficar e a pátria está salva com Vanessa Fernandes a segurar a bandeira. Está mal. Já estávamos todos contentes com a pulhice que tinham feito a Marco Fortes (que não é tão bonito como Naide Gomes) e agora é isto: vamos ter de aguentar esta gente no Comité Olímpico, a brincar à batalha naval. Bons tempos em que gostávamos das nossas derrotas. Agora contentamo-nos com uma medalhinha para salvar a pátria. A propósito: viram a paraguaia lançadora de dardo? Quantas medalhas não valia?

 

[Da coluna do Correio da Manhã.]

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Casai, casai.

por FJV, em 26.08.08

 O Presidente vetou a lei do divórcio e meio país saltou a bradar contra “o conservador”. Toda a gente sabe que Cavaco é “conservador”, coisa que não faz mal ao mundo. O problema, isso sim, é a facilidade com que se fazem leis que partem do princípio de que as pessoas são generosas, boas e andam carregadas de amor. Não andam, mas isso é assunto delas. O Estado não tem nada de legislar sobre afectos & amor – tem de limitar-se a salvaguardar contratos. Como o do casamento. O amor, a afectividade e o ódio não são assuntos do Estado nem do parlamento. Que duas pessoas deixem de se amar – acontece a cada hora; que uma delas decida deitar fora um contrato que exige responsabilidade civil, já deve ser ponderado. Os legisladores não têm nada que pregar sermões ou fazer terapia de casal.

[Da coluna do Correio da Manhã.]

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Estatísticas.

por FJV, em 21.08.08

Em Portugal as estatísticas não são números e sim pretextos. Talvez por isso não tenhamos estatísticas fiáveis; as da criminalidade, então, não existem – porque Portugal é terra de paz e melros nas oliveiras. O responsável de um observatório resolveu o assunto dizendo que a criminalidade não aumentou; o que aumentou, sim, foi a ‘cultura da violência’. Ora, alguns dos ‘bairros sociais’ são zonas abandonadas à criminalidade que está acima da lei e já controla as ruas. Os desprotegidos não podem recorrer à violência e não têm para onde ir; enquanto os sociólogos discutem se existe ou não criminalidade, famílias condenadas ao subúrbio vêem os filhos serem assaltados. Ou assaltarem. Eles sabem que não há ‘pequena criminalidade’ e que cada ‘pequeno crime’ é uma afronta à sua honra.

[Da coluna do Correio da Manhã.]

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Insistência.

por FJV, em 20.08.08

Ricardo Quaresma não é apenas um jogador do FC Porto – ele é um artista no meio do futebol de régua e esquadro que os burocratas querem promover a todo o custo. Inconstante, extravagante, mau-feitio – e muito perto do talento puro, o do bandoleiro que de repente começa a dançar no meio do relvado e consegue passes estranhos, trivelas fantásticas. Esse mau-feitio prejudica-o, tal como a ambição fora de tempo. Nada disso o impede de figurar no quadro de honra. Jogadores como ele sentem-se bem no palco da tragédia, que é o do jogo de vida e morte. É um prazer vê-lo jogar; basta dar-lhe um mínimo de confiança. No flamenco, ele é um bailador que também canta, ora a solo, ora em coro mesmo quando desobedece. Vê-lo escondido, no balneário, de castigo – é um desaforo que não mereço.

[Da coluna do Correio da Manhã.]

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A natureza da maldade.

por FJV, em 18.08.08

A maior parte dos comentários sobre a violência nos subúrbios de Lisboa divide-se entre a paranóia do medo e o ventriloquismo da «violência policial». São reacções de cães de Pavlov. Ontem, na rádio, um morador da Quinta do Mocho definiu as coisas com alguma grandeza: que há falta de respeito pela lei e que esta é a «natureza da maldade» (eu só lhe somaria a guerra surda em nome do tráfico). A descrição do assassínio de Marco Vaz, durante o fim-de-semana, fornece esse retrato com fidelidade. Os sociólogos da televisão transferem a realidade para os laboratórios e os deputados que falam da polícia como de um bando de assaltantes têm a casa protegida. Os pobres e os humildes são as principais vítimas da violência – da falta de respeito pela lei e da natureza da maldade. Sempre.

[Da coluna do Correio da Manhã.]

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Desporto olímpico.

por FJV, em 18.08.08

O desporto americano devia muito aos programas escolares e universitários, que formavam atletas disciplinados e com vontade de vencer. Com a crise da educação no seu auge e o clima de bagunça instalado nas escolas, os EUA perdem medalhas onde antes as ganhavam. Em Portugal, a escola detesta vencedores – acaba com o ensino da música, por exemplo, e não alimenta o desporto de rendimento desde a infância. Em outros países, o desporto é uma forma de promoção social – os jamaicanos, os quenianos e os romenos, por exemplo, trabalham para ser excepção e para terem um lugar no pódio. Uma coisa é fazermos dieta e irmos ao ginásio ganhar elegância para mostrar na praia; outra é alimentarmos a vontade de ultrapassarmos a mediania. Estamos a ficar sem ambição. Sem vontade de lutar.

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Elogio da raça impura.

por FJV, em 14.08.08

 

Se há uma coisa digna no nosso “amor à raça” é misturá-la alegremente e sem grandes debates. Casámos bastante pelo mundo fora desde o século XVI – e a excepção cabe a períodos de decadência fatal em que ficámos reduzidos ao rectângulo europeu ou vivemos isolados dos outros. Os dados do Instituto Nacional de Estatística, por exemplo, dizem que os casamentos com imigrantes duplicaram nos últimos cinco anos, o que deve incomodar os “puristas da raça”. Ora, a “nossa raça” é impura, felizmente – como os nossos apetites e os nossos desejos. Camões, que serviu para ilustrar a ideologia da “raça”, pintou-nos dessa forma: ele sabia que a “nossa raça” era impura, imoral, e muito disponível para o que os especialistas em demografia chamam “cruzamentos”; não – é mesmo misturança.

[Da coluna do Correio da Manhã.]

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Casai, casai.

por FJV, em 14.08.08

Segundo o CM de anteontem, a banca perde dois milhões de euros diários por dívidas incobráveis, o que significa oitocentos milhões anuais de incumprimento apenas por causa dos divórcios: os casais separam-se e as dívidas ficam nas mãos do banco. Há quem atribua esta situação à leviandade com que o governo e a sua maioria ‘facilitam’ o divórcio, tornando-o mais rápido e, até, ao alcance de apenas uma das partes do casal. É verdade. Mas o problema é, muito mais, a facilidade com que as pessoas se casam e se comportam como se fossem uma empresa cotada em bolsa. Se o casamento é um contrato civil, as partes devem ser responsabilizadas; se se trata de um contrato temperamental, os bancos sabiam o risco de aceitar ‘o amor’ (o quê?) como avalista. Ou achavam que bastava legislar?

[Da coluna do Correio da Manhã.]

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Vida & morte.

por FJV, em 11.08.08

Há histórias de vida & morte que nos surpreendem porque confirmam e, em simultâneo, desmentem as estatísticas. Esta, trágica, confirma que o género humano está doente; e desmente que um certo grau de instrução pode torná-lo mais decente. Vai agora a julgamento, em Coimbra, o estudante universitário de 28 anos, ainda no curso Engenharia Civil, que matou a ex-namorada a facadas (vem no CM de ontem), com “repetidos e muito violentos golpes”, segundo a acusação – Maria José tinha-lhe dito que não, que não queria namorar mais com ele. Um ano depois, o relatório dos psicólogos diz agora que António, o criminoso, sofria de “uma baixa tolerância à frustração”. O género humano não aprendeu nada com anos e anos de experiência. Torna-se apenas mais idiota e mais previsível. É assim.

[Da coluna do Correio da Manhã.]

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O Pontal e o Chão da Lagoa.

por FJV, em 09.08.08

 

A última Festa do Pontal, ao que me contam, foi um prodígio de folclore, com Marques Mendes e L. F. Menezes disputando o mercado algarvio de sociais-democratas. Já o Chão da Lagoa, na Madeira, é mais exuberante. Manuela Ferreira Leite recusou ir aos dois ajuntamentos – e fez bem. Festas dessa natureza (as tais “da carne assada” que Pacheco Pereira se queixava de ter de frequentar para caçar votos, ai dele) podem ser dispensadas. São anunciadas pelas ruas e pelas praias tal como se apregoavam as touradas. Ângelo Correia, oportuno, vê na atitude de Manuela “o abandono do PSD” e vai discursar no Algarve para clamar por “ideias” – que, como se sabe, nascem nos arraiais. Uma coisa é certa: o partido escolheu Manuela para líder porque estava cansado do Pontal e do Chão da Lagoa.

[Da coluna do Correio da Manhã.]

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Festa na Serra.

por FJV, em 07.08.08

O Acampamento de Jovens do Bloco de Esquerda começou ontem em São Gião, na Serra da Estrela, mas só hoje se iniciam os ‘workshops’, debates e animação restante. Das 17 às 19 há dois ‘workshops’ – um subordinado ao tema ‘Stencil/Subvertize’ e um outro com a designação de ‘Brinquedos Sexuais’ (amanhã é ‘Massagens’). Longe da pátria real, festejo a escolha e assinalo o horário, muito relaxante, quase crepuscular, diante do horizonte das montanhas, convidando à lassidão ou à contemplação. A rapaziada sabe o que é bom. Se há quem critique os programas da ‘jotas’ por tratarem de instrumentalizar e banalizar o pessoal que um dia gostaria de ser director-geral ou amanuense de nível superior, pois aqui está um exemplo de labor político original. Oxalá não se magoem. Nunca se sabe.

[Da coluna do Correio da Manhã.]

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São sinais, são sinais.

por FJV, em 07.08.08

 

O Verão não nos liga ao vazio mas à reflexão. Como estão as auto-estradas, os aeroportos e os hotéis? Como está a lotação dos restaurantes? Como está a ocupação do metro quadrado de praia? Para os “economistas comuns”, boas taxas de “cumprimento de férias” significam que a crise ainda não chegou, à semelhança do que pensava António Guterres com a sua observação pouco criteriosa sobre o número de telemóveis e a ida de portugueses para o Algarve. Isso significaria que andava dinheiro a circular. No entanto, há outra fórmula de cálculo, mais perversa e subtil, que parte do princípio de que as sociedades em vésperas da grande crise gastam o que não têm e esperam o que nunca há-de vir. É tremendo, mas tem sentido – mesmo que não agrade nas secretarias e à propaganda.

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«Blog».

por FJV, em 08.01.08
A minha coluna no Correio da Manhã de ontem. E a coluna de hoje.

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