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Le gusta este jardín que es suyo? No deje que sus hijos lo destruyán.

por FJV, em 28.07.09

Jardín Borda. Construído (e, de certa forma, desenhado) por José de la Borda, no final do século XVIII, um dos locais preferidos do imperador Maximiliano. Em Cuernavaca.

 

A frase é lida pelo cônsul Firmín em Debaixo do Vulcão (Under the Volcano), de Malcolm Lowry, nascido há cem anos. Era uma das frases que acompanhou, durante muito tempo, a minha amizade com Torcato Sepúlveda, um dos grandes leitores de Lowry.

Em 1994, fiz a pequena viagem entre a cidade do México e Cuernavaca para conhecer o cenário de Lowry. Nessa altura ainda não tinha sido feita a «requalificação urbana» da cidade, uma espécie de ruína que sobrevivera à época de Firmín, com as mesmas cantinas, as mesmas igrejas, as mesmas praças, e como excepção apenas o Jardín Borda e o hotel e restaurante Las Mañanitas -- com o seu esplendor de domingo, a relva estendendo-se por toda a colina, a música no jardim, a sopa de frijoles con chichurrón, as famílias ricas de DF a tomar o último sol da tarde. Vi essa placa («Le gusta este jardín que es suyo? No deje que sus hijos lo destruyán.») e regressei a DF com essa sensação do dever cumprido, a de ter lido algumas páginas de Lowry na cidade onde ele situa o seu romance (a reportagem está publicada num número da revista LER, que também transporta os nomes de Jaime Sabines, Carlos Monsiváis, Francisco Cervantes, Hernán Lara Zavala e tantos outros, entrevistados e fotografados). Outros amantes de Lowry e de Debaixo do Vulcão, como o próprio Torcato, José Agostinho Baptista, Marcelo Teixeira (editor na Oficina do Livro e que acaba de publicar um belíssimo livro sobre o tema, A Caminho do Vulcão), José Mário Silva ou Pedro Correia souberam sempre prolongar a vida de um livro sobre a perdição, o amor e a descida aos infernos. Neste dia, nem o melhor mezcal de Oaxaca, o melhor tequila de Morelos, poderão explicar o fascínio pela sua obra. Mas devem beber-se, sim, escutando os boleros imortais de Augustín Lara (que operam milagres), ou Consuelo Velazquez, Gabriel Ruiz, Pedro Infante, José Alfredo Jimènez, Bienvenido Granda ou Pedro Vargas. Música e mezcal em honra de Lowry.

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