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Programa de reconstrução de escolas.

por FJV, em 14.07.09

O problema não é bem esse. A explosão escolar transformou os velhos liceus em 'estabelecimentos de ensino' superlotados e esburacados. Mas a democratização do ensino tem as costas largas – e deve atribuir-se grande parte das culpas à incúria, irresponsabilidade, desleixo e apatia dos responsáveis da Administração (desde o Ministério às Câmaras) durante os últimos vinte anos, sejam eles quem forem. Entre tantas obras, as escolas ficaram sempre para trás, esquecendo que não é possível melhorar os resultados educativos em escolas decrépitas, feias e sujas. O que é feio e sujo gera lixo e fealdade. Mas há uma outra questão: os terrenos das escolas e o seu preço. Antigamente, as escolas ficavam no centro das cidades – faziam parte da sua topografia natural (o meu velho liceu era, precisamente, o centro da cidade onde vivi). Mas esses terrenos são hoje caros; são cobiçados não apenas pela grande construção mas, também, pela «arrecadação municipal» que gostaria de valorizá-los e vendê-los. Nascem, assim, escolas nas periferias, em zonas mal urbanizadas, sem árvores, sem gente, sem «infra-estruturas», sem participação na vida da cidade. As câmaras municipais (que tratam o espaço público sem saberem o que isso é) fazem um bom negócio; a Administração Central (o ministério...) desinteressa-se e gosta de escolas com mais «valências», paquidérmicas, armazéns onde autocarros descarregam «aprendentes» e onde, às seis da tarde, a escuridão cai sem defesa. Esse é um dos problemas mais graves da escola actual.

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