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A Língua.

por FJV, em 08.04.09

José Murilo de Carvalho, o autor vencedor da primeira edição do Prémio Leya, acha que «a Língua pode unir-nos muito mais do que a Literatura». Uma afirmação como esta faz o delírio dos distraídos e dos legisladores da cultura. Mas é grave, por muito que a figura de Murilo seja simpática (e é). Primeiro: se não for a Literatura a fixar a Língua, esta morre, como nos ensinam a história política e a filologia; depois, porque um escritor devia saber que a Língua, sem realização literária, é apenas um bom resíduo para acrescentar o lixo dos burocratas – é apenas um alfabeto sem vida. O que faz a grandeza do Português é ter sido a língua de Euclydes da Cunha, de Eça, de Machado de Assis, de Camilo, de Drummond ou de Vergílio Ferreira – não por ser usada por um director das Alfândegas.

[No Correio da Manhã.]

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9 comentários

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De Paulo Quintela a 08.04.2009 às 20:00

Que maldade. Murilo de Carvalho não defendeu a morte da literatura, o que de resto seria suicida para um escritor, apenas afirmou algo tão velho como o mundo, a língua une até aqueles que a dominam mal.
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De Anónimo a 08.04.2009 às 22:48

Temos de perceber (e aceitar) o post do Francisco. Afinal o prémio é da Leya, a fonte de todo o Mal, não é, Francisco??
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De FJV a 08.04.2009 às 23:56

Não, Anónimo, não. Nem tem de aceitar nem perceber o post. É curioso como, em vez de discutir a «essência» do post, se limita a fazer juízos sobre o que pensa ser a minha posição -- sem saber qual ela é. Dizer «a língua» e esquecer «a literatura» quando se fala nessas circunstâncias, parece-me mal.
Fora isso, não tenho mais nada a discutir.
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De Anónimo a 09.04.2009 às 11:21

FVJ, o que o Murilo disse é o óbvio ululante, como diria o outro. Eu acho, com todo o respeito, que fez uma interpretação enviesada das palavras dele. O Murilo não falou em “grandeza”, falou em união. Repare, o Pessoa disse “a minha patria é a lingua portuguesa”, não disse “a minha patria é a literatura em lingua portuguesa”… A ligação que você tem com os camponeses de Trás-os-Montes é a lingua que tem em comum com eles, assim como quando vai à Indonésia e a Malaca, ficará mais sensibilizado se algum velho lhe falar em papiá, de origem portuguesa, do que com um académico que lhe recite a primeira estrofe dos Lusiadas.

Pedro
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De João a 09.04.2009 às 15:33

Aliás, eu ainda acrescentaria que o que faz uma língua sobreviver é a literatura. Vejam-se os casos do Sumério, do Latim ou do Hebraico (que foi "redescoberto" recentemente para Israel), que muitos anos depois dos seus falantes terem desaparecido, continuavam a ser utilizadas.
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De nd a 09.04.2009 às 20:01

Talvez Murilo, extrapolando, pensasse na altura apenas como cidadão brasileiro, ou melhor, por ser cidadão do Brasil. Como sabe, é a Língua que une este país imenso. No mais, estou de acordo sem hesitar.
Já fora deste assunto, teria acrescentado Camões , Vieira, o contemporâneo José Saramago e - porque não? - trocava Drummond por Manuel Bandeira.
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De Joana a 10.04.2009 às 14:23

Considero este comentário à afirmação de Murilo de Carvalho elitista e descabida. Por exemplo Eça além de escritor era também um burocrata e, nem por isso, deixou de escreveu da melhor prosa em Língua Portuguesa. Sinto que há neste post um preconceito contra as profissões não ligadas à cultura. Depois odeio name-dropping mas já agora podia ter mencionado Agustina, Maria Gabriela Llansol ou Clarice Lispector. :D
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De João Paulo Rodrigues a 12.04.2009 às 13:11

Acho que JMC deve ter dito "a Língua pode NOS unir muito mais do que a Literatura".
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De João a 13.04.2009 às 19:28

Nada separa mais os escritores do que a infinita dor de corno de um prémio literário...

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