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Prolongamento.

por FJV, em 23.03.09

 

 

Vivemos de símbolos e de mitos. Isto vem a propósito do filme Che: O Argentino, de Steven Soderbergh. Ernesto Guevara de la Serna foi um rapaz do seu tempo (Diários de Motocicleta, de Walter Salles, é o seu panegírio), um herói da revolução. Os mitos são amados – pelo menos até que a revolução se decomponha. Tanto o filme de Salles como o de Soderbergh são servidos por dois actores bonitos, Gael García Bernal e Benicio del Toro. Essa beleza (como a de Cristo) prolonga o mito mas tem pouco a ver com a verdade e com a decomposição do rosto de Guevara, que gostava de fuzilamentos e tinha um gatilho irregular. Prolongar o mito vende mais t-shirts. Mas depois de contar os mortos que a revolução deixou para trás, custa a crer que o guevarismo continue a devorar Guevara.

[No Correio da Manhã.]

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9 comentários

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De Borges a 23.03.2009 às 15:18

A propósito ver a seguinte entrevista ao actor Benicio del Toro, por uma entrevistadora frontal e bem preparada:

Benicio del Toro se queda sin respuestas

http://www.youtube.com/watch?v=IZGTV6FbBXM&eurl=http%3A%2F%2Foinsurgente%2Eorg%2F2009%2F02%2F14%2Fbenicio%2Ddel%2Dtoro%2De%2Dche%2F&feature=player_embedded
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De Blondewithaphd a 23.03.2009 às 16:17

Só uma pequena coisinha: discordo que o Benício del Toro seja bonito. Charmoso pode até ser, agora bonito?!
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De Vasco a 23.03.2009 às 22:50

Optimo texto, já fui a cuba e a herança não e grande coisa, mas a fotografia de korda é muito forte e apelativa. Vende e prossegue com esta vaga cinéfila,
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De Manuel da Silva Carvalho a 24.03.2009 às 00:35

Os mitos serão eternos e sempre amados por alguém, mesmo para além da decomposição das Revoluções!
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De Manuel Pereira da Rosa a 24.03.2009 às 15:29

Quanto à verdade não tenha o FJV a pretensão de estar fora da caverna e de ver muito para além das sombras. A estátua de David da autoria de Miguel Ângelo que se enconta em Florença é bela, mas á luz das regras actuais de classificação, não passava de um terrorista. Os heróis dos povos, sejam eles quais forem, que ornamentam as suas praças, não são propriamente figuras celestiais.
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De jcb a 25.03.2009 às 01:24

Pois. Eu gosto de Cuba é antes de 61 e de 59, da servidão e da incapacidade dos USA de fazer ali o que se fez na Guatemala com os resultados que se sabe uns anos antes (com efeitos por aí fora anos adiante), e do Batista que era um mimo de elegância democrática e que não tinha gatilho irregular, e dos negócios do Lanski feitos às escâncaras no Hotel Nacional, e da filantropia do Frank, o Sinatra, durante cinco noites, e das reuniões da Mafia que tiveram lugar na suite onde o Al Capone, coitado, faltou porque estava adoentado. Isso, sim: isso é que era um mimo, e foi uma pena que acabasse tudo isso, e que tudo isso não tenha, portanto, continuado por aí afora, até hoje. O Che, pois, é que foi uma chatice – logo nos haveria de sair ele nas t-shirts em vez do Santo Trafficante Jr. ou do Joe Bonano – cavalheiros recomendáveis de fina água.
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De Carlos Andrade a 25.03.2009 às 11:56

O Srº Francisco devia era pôr os links dos seus livros direccionados para a Bertrand.pt e não para o Wook, em vez de escrever estes comentários pobrezinhos... Será que o Sr. Marti sabe que o Srº Francisco anda a fazer publicidade à concorrência?
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De Karlos Kellog a 25.03.2009 às 23:51

Um bárbaro moderno, sem coiso, nem poiso e que ainda alimenta sonhadores...
Para JCB: Cuba, apesar do Fulgêncio tinha, à época, o 2º. PIB da América Latina, a norte e a sul da Hispaniola.
A lista dos primeiros 80 fuzilados pelo Gayvara consta do blog El Federalista.
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De jcb a 26.03.2009 às 00:16

Como imagina, Karlos, os cubanos, antes da revolução, orgulhavam-se do (e fazia-lhes muito proveito) o PIB que tinham... É uma questão de 'perspectiva', claro: ao Al Capone, por exemplo, esse indicador estatístico não era indiferente. E podia sempre dizer: «pois, falam muito, falam muito, mas a verdade é que Cuba tem o 2º PIB da América Latina»...

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