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Clica, clica.

por FJV, em 20.03.09

Ontem à noite, num jantar, alguém dizia que «já não estou habituada a folhear um livro; gosto mais de clicar  e de ver as páginas a passar». E lê muito?, pergunta alguém. «Ainda há poucos livros em formato digital, não é?» (mentira, mentira). Subitamente, a mesa fica dividida entre os que clicam e os que folheiam. E sinto-me de repente de outro século, de outros séculos, com uma enorme nostalgia de páginas húmidas, devoradas pelo tempo, manchadas, comidas pelos micróbios, enquanto a pessoinha à minha frente clica permanentemente num ecrã, lendo páginas que não lê, anotando a lápis num ecrã moderadamente limpo, procurando pilhas para continuar a poder ler o Tristram Shandy. Clicando, clicando. E eu folheando, folheando.

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12 comentários

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De Miucha a 20.03.2009 às 22:36

E o cheiro? Tem nuances: livro novo, livro húmido, livro com nódoa de ketchup, livro guardado e com pó (faz comichão no nariz), livro com areia da praia... digam o que disserem um livro é mais interactivo do que o elivro: corte no nó do dedo pela folha do livro novo, arma de arremesso quando há fúrias... e tem surpresas: postal de há 11 anos guardado dentro deste livro, recibo em escudos do lanche no Café Y, comentário datado na beira da página (que tola que eu era...). Um livro é um objecto que nos faz viajar no tempo: no dele e no nosso, e assim sucessivamente como um espelho em frente ao outro.

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