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Clica, clica.

por FJV, em 20.03.09

Ontem à noite, num jantar, alguém dizia que «já não estou habituada a folhear um livro; gosto mais de clicar  e de ver as páginas a passar». E lê muito?, pergunta alguém. «Ainda há poucos livros em formato digital, não é?» (mentira, mentira). Subitamente, a mesa fica dividida entre os que clicam e os que folheiam. E sinto-me de repente de outro século, de outros séculos, com uma enorme nostalgia de páginas húmidas, devoradas pelo tempo, manchadas, comidas pelos micróbios, enquanto a pessoinha à minha frente clica permanentemente num ecrã, lendo páginas que não lê, anotando a lápis num ecrã moderadamente limpo, procurando pilhas para continuar a poder ler o Tristram Shandy. Clicando, clicando. E eu folheando, folheando.

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12 comentários

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De essagora a 20.03.2009 às 14:04

Juro que não percebo esta nostalgia pelo livro objecto.

Eu adoro ler e ando sempre com um livro atrás de mim, pela trela (curta) para que não me fuja quando mais preciso dele. No entanto, tal como com as mulheres, aquilo de que eu mais gosto é o conteúdo e não o aspecto exterior. Claro que dá uma certa excitação passar a mão pelo lombo, cheirar, virar e revirar, mas quando se chega ao âmago da questão tudo isso passa a ser secundário.

É por isso que nunca quis saber muito de capas duras ou não, papel mais ou menos brilhante... o que me irritam são os erros tipográficos ou de tradução, a falta de talento do autor, os enredos com falhas, os desfechos apressados, etc, etc.

O que me impede neste momento de comprar um é parecerem-me demasiado caros para o conforto de leitura que permitem. Quando isso for ultrapassado, entro na carruagem.

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